Crítica: Logan (2017) – Sem Spoiler

Crítica: Logan (2017) – Sem Spoiler

Logan é o melhor filme do personagem até agora…

Ficha técnica:
Direção: James Mangold
Roteiro: Michael Green, James Mangold
Elenco: Hugh Jackman, Patrick Stewart, Dafne Keen, Elizabeth Rodriguez,  Stephen Merchant
Nacionalidade e lançamento: EUA. 2017 (02 de março de 2017 no Brasil)

Sinopse: Em 2029, Logan (Hugh Jackman) ganha a vida como chofer de limousine, para cuidar do nonagenário Charles Xavier (Patrick Stewart). Debilitado fisicamente, esgotado emocionalmente, ele é procurado por Gabriela (Elizabeth Rodriguez), uma mexicana que precisa da ajuda do ex-X-Men. Ao mesmo tempo em que ele se recusa a voltar à ativa, Logan é confrontado por um mercenário, Donald Pierce (Boyd Holbrook), interessado na menina Laura Kinney, sob a guarda de Gabriela.

 

Logan / Wolverine exala carisma e tem uma multidões de fãs. No universo cinematográfico, Hugh Jackman encarna-o de uma forma que encantou os fãs e honrou a “vida” pregressa do personagem. Contundo, as experiências anteriores com filmes solo não deram muito certo X-Men Origens: Wolverine (2009) e Wolverine: Imortal (2013) não deixam saudades. Felizmente com Logan as coisas mudaram, o longa apresenta problemas sim, mas nem de longe se equipara ao que vimos nos antecessores. A sensação aqui é de um material muito melhor acabado.

A história se passa em 2029, o mundo não é o mesmo para os mutantes, não sabemos ao certo o que aconteceu, porém poucos estão vivos. Dentre eles, claro, o nosso protagonista. Mas ele também não está no estado normal que a gente conheceu. Cambaleante, doente e com mais angustias (sim, mais) do que antes – e o estranhamento de vê-lo como motorista de uma limousine também vale a nota. Outro que dá as caras é o chefão dos x-men, o careca mais famoso da franquia, Charles Xavier (Patrick Stewart). Ele também aparece bem mais desgastado e até semi-senil ou altamente consciente – quem vai entender os mistérios da mente mais poderosa do mundo?

Há diversos méritos na construção do ambiente que somos inseridos.  Um ar mais sujo, quase mad maxiano se faz presente. A trilha também compõe este cenário de forma pra lá de competente. Há uma variação de tons que nunca soa torta ou querendo transpor a narrativa. O design de produção é competente e ao fazer com que a gente entenda que estamos um pouco a frente do nosso tempo, mas sem naves futuristas ou qualquer coisa grandiosa.

Aliás, esse é um ponto favorável na narrativa. Mesmo que a motivação dos vilões – “fabricar” mutantes em laboratório – possa gerar consequências mundiais, o foco da história é menor. Não há raio azul que vá destruir o universo ou coisa do gênero. Vemos uma perseguição, um jogo de gato e rato, que conduz quase todo o mote da trama. Fãs de filme de heróis não se sintam ofendidos com a seguinte afirmação: Logan é mais um filme de ação do que um filme de herói. Há poderes, mutantes e é baseado em HQ sim, mas o drama e as relações têm destaque.

Nem tudo são flores. Dois pontos infelizmente deixam o filme sem a nota máxima. Um deles é o senso de humor. Muitas piadas funcionam e dão um ar meio cínico. Todavia, em outros tantos momentos a comicidade fica torta – lembrando uma utilização comum nos filme filmes da Marvel, onde a necessidade de fazer rir se sobrepõe ao drama. Sendo justo: a ferramenta é mais positiva do que negativa aqui, ainda assim poderiam ter amenizado.

O grande ponto negativo de Logan são as conveniências do roteiro. A rebuscada ferramenta cinematográfica conhecida eruditamente como “amigo do roteirista” é vista aqui com frequência. A famigerada corrida “contra” um trem e outros lances de extrema preguiça estão presentes, uma pena. Diálogos interessantes, uma movimentação de câmera, fotografia que trazem uma boa linguagem e atuações ótimas, mereceriam soluções mais sagazes.

Por falar em atuações, eis o grande destaque em Logan. O desespero de  Elizabeth Rodriguez, o apoio de Stephen Merchant servem de bons coadjuvantes dando vida para Gabriela e Caliban (cuja caracterização deste me lembrou o Nux, do Mad Max). O veterano Patrick Stewart dá um show. Completamente à vontade como Professor Xavier, vemos a atuação mais complexa e difícil dele na franquia. A atual condição do personagem exigiu muito – devidamente entregue. Na outra ponta etária, a jovem Dafne Keen também brilha. Intensa, silenciosamente verborrágica e capaz de dialogar com a dupla principal de igual para igual. A presença dela foi fundamental para o bom andamento aqui. Sabia escolha de elenco, parabéns para quem a selecionou.

Jackman se despede (será que se despede mesmo?) do personagem de forma honesta. Com um filme muito bom – com algumas falhas, mas muito bom ainda assim – e tendo o Logan no ápice de maturidade. As cenas com um ar familiar dão uma camada a mais para o ator trabalhar. As sanguinárias (sim, há MUITO sangue em Logan) lutas permitem que os fãs vejam um Wolverine on fire. Enfim, não é um épico do gênero, mas dá um adeus (ou até logo…) com dignidade.

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  • Fernando Machado

    Concordo com vc… só queria compartilhar isso com o Mundo!

  • Lucas Albuquerque

    fato raro kkk