Crítica: iBOY (2017) – Original Netflix

Crítica: iBOY (2017) – Original Netflix

iBoy é mais um original Netflix que fracassa.

Ficha técnica:

Direção: Adam Randall
Roteiro: Joe Barton
Elenco: Bill Milner,  Maisie Williams, Rory Kinnear,  Jordan Bolger
Nacionalidade e lançamento: Reino Unido, 2017  (27 de janeiro de 2017 diretamente na Netflix)

Sinopse: Tom é um adolescente cuja vida vira de ponta-cabeça após um violento encontro com marginais deixar fragmentos de seu celular encrustados em seu cérebro. Ao acordar do coma, ele descobre que desenvolveu estranhos superpoderes e que nada mais será como antes. Com suas novas habilidades, ele embarca em uma jornada de vingança contra a gangue, que também atacou sua amiga Lucy

Hoje quando se pensa em super-herói no cinema logo vem à cabeça Marvel/Disney e Warner/DC. Não à toa, essas empresas dominaram o mercado e faturam milhões. iBOY é uma tentativa netflixiana de entrar neste mundo, mas de forma muito mais sóbria e sem o orçamento gigante. O que poderia ser um respiro na indústria terá muitas dificuldades para se tornar memorável.

iBOY é um misto do jogo Watch Dogs com os filmes do Max Steel. O protagonista adquire os poderes em uma narrativa tão absurda quanto qualquer outro filme de herói, problema nenhum aqui, portanto (há até uma boa ironia se tornar herói graças a uma atitude covarde). O poder adquirido nada mais é do que ele passar a hackear os objetos eletrônicos em volta. O curioso é que há muita violência em torno, gerada pelo ambiente de subúrbio que vive – então, como na maioria das cidades, um herói era necessário. Salvar o mundo da devastação dá lugar aos conflitos locais. Ou seja, um mote mais contido, honesto e que traz uma ideia com potencial.

Contudo, iBOY vai pouco além disso. Os efeitos lembram a pieguice do Código da Vinci com uma tentativa desesperada de ser cool o tempo inteiro. As coisas ficam brilhando para serem realçadas e pipocam umas telas à la pop-up. O som, principalmente dos celulares, ficou extremamente audível. O que, ironicamente, tira o público da imersão. Cada mensagem fazer um barulho torna a coisa de um realismo anti realista.

A história tem uma temática séria: estupro. Outra opção ousada, já que o público – um pouco por conta da Marvel – associa os longas do gênero com algo mais leve. O porém é que o assunto não é tratado com força. Apesar de ser o cerne fica deslocado. O foco é a utilização dos poderes do protagonista Tom. Em suma: você tem um filme sisudo cuja abordagem que poderia desencadear alguma reflexão acaba linear e banal.

Essa questão dos poderes, aliás, é repetida à exaustão. Rapidamente entendemos o que ele é capaz de fazer. Mas o roteiro insiste em repetir, com uma roupagem diferente, na cena seguinte e seguinte e seguinte…. As viradas são previsíveis e quando chegamos no terceiro ato já estamos saturados.

Parte dessa falta de empatia se dá por conta da atuação do Bill Milner no papel principal. Não há grandes expressões e convencimento. Parabéns quem conseguir se importar com ele. Maisie Williams traz uma bagagem para os que viram Game of Thrones. A atriz vai melhor que ele, mas é pouco aproveitada. E no desfecho ela não mostra segurança.

iBOY, desde o título à duração, quer conversar com a nova geração. Ao mesmo tempo terá dificuldades em atingi-la. Essa falta de precisão pode atrapalhar. Este ano Siga pela 10 e Clinical foram as outras empreitadas originais da companhia de streaming. O mérito está mais na variedade temática que na qualidade, esperamos que a coisa melhore no decorrer do ano…

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