Lion: Uma Jornada para Casa – E a política para concorrer ao Oscar

Lion: Uma Jornada para Casa – E a política para concorrer ao Oscar

Continuando a corrida para o Oscar 2017, temos agora “Lion: Uma Jornada para Casa” (Lion – 2016). Neste caso, temos uma situação clara de política  do Oscar, onde colocam o filme para concorrer onde ele tem maior chance de ganhar e não onde ele deveria estar. Este filme, que concorre à melhor atriz coadjuvante (com Nicole Kidman), melhor roteiro adaptado (já que o filme é baseado em fatos reais), melhor fotografia, melhor trilha sonora, e a coisa mais estranha de todas: melhor ator coadjuvante pela interpretação de Dev Patel, o ator principal deste filme.

“Lion: Uma Jornada para Casa” (vale lembrar que “Lion” é a tradução em inglês para “Leão”, vocês se lembram dos Thundercats? então…) conta a história de um jovem de 25 anos, um órfão indiano adotado por um casal de australianos cuja mãe interpretada por Kidman. Ao atingir uma certa idade, Saroo (o nome do personagem interpretado por Patel) supera o trauma da perda da sua família biológica, se lembra do que aconteceu e embarca em uma jornada em busca da família que perdeu, o que além de iniciar uma aventura, gera conflitos com sua família adotiva.

O tema é delicado. A direção e o filme devem realmente ser bons para o tema não desandar. A interpretação também tem que ser minimamente competente. Mas este último quesito é garantido, pois estamos falando de Nicole Kidman e especialmente de Dev Patel (“Quem Quer Ser um Milionário?”, “Chappie“, “O Exótico Hotel Marigold“, em especial os dois primeiros que gostei muito). O trailer dá alguma noção (veja ele no fim deste artigo) se o conjunto é bom ou não. A estréia no Brasil é no dia 9 de fevereiro. Anteriormente era dia 16, mas acredito que graças ao Oscar (que é dia 26), adiantaram o lançamento.

Mas e Patel? Por que ele está sendo indicado para ator coadjuvante sento que ele é o ator principal do filme? Simplesmente porque ele teria maiores chances de indicação e talvez de vitória se fosse indicado como ator coadjuvante e não como ator principal. Criado no Hinduísmo certamente sofreria preconceito
racial dentro da academia. Para você ter uma noção numérica, até hoje 88 atores levaram a premiação de melhor ator, destes,
segundo o site IMDb, 27 não nasceram nos E.U.A. (Sidney Poitier nasceu nos E.U.A., o próprio site diz isso), destes 16 nasceram no Canadá, Grã Bretanha ou Irlanda e apenas 11 nasceram em países diferentes destes (e olha que estou colocando Austrália e Nova Zelândia nos países diferentes). Destes estranheiros, todos são brancos.
Para Ator Coadjuvante a situação é diferente mas não muito.  Esta premiação existe desde décima sexta edição da premiação, assim, 72 atores levaram o prêmio. Deles, 25 estrangeiros (já é uma proporção maior daquela existente em melhor ator) e entre eles também 16 nasceram no Canadá, Grã Bretanha ou Irlanda e apenas 8 nasceram em países diferentes destes (tambémcontando Austrália e Nova Zelândia). Junto destes 8 existe um cambojano, Haing S. Ngor, que levou o prêmio por “Gritos do Silêncio” (“The Killing Fields” na premiação de 1984, vencendo até Pat Morita, no papel de Sr. Miyagi do Karatê Kid), o único que não escapou do “white wash” tão criticado. 
Além de toda esta situação, esta é a primeira indicação do inglês ao Oscar de forma geral (sim, Patel nasceu em Londres e seus pais são quenianos, mas com ascendência indiana, mas ninguém repara no fato dele ser inglês). Então a ideia é chegar humildemente e tentar pelo menos uma indicação, e mais projeção para o filme. Se esta for a estratégia, bom… está funcionando. Quem sabe o filme mereça algo mais…

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