Crítica: Clinical (2017) – Original Netflix

Crítica: Clinical (2017) – Original Netflix

Clinical erra em quase todos os aspectos na construção de um suspense

Ficha técnica:
Direção: Alistair Legrand
Roteiro: Alistair Legrand, Luke Harvis
Elenco: Vinessa Shaw,  Kevin Rahm, India Eisley,  Nestor Serrano, Aaron Stanford
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2017 (13 de janeiro de 2017 – diretamente na Netflix)

Sinopse: Dr. Jane Mathis (Vinessa Shaw), uma psiquiatra que passa seus dias tentando de todas as maneiras esquecer o seu passado, está prestes a relembrar um ataque violento que mudou sua vida para sempre. Isso porque, ao receber o pedido de ajuda de um paciente desfigurado, acaba aceitando a proposta de tratá-lo, sem imaginar que isso resultaria em grandes problemas.

Clinical é a primeira obra original Netflix do ano. Mas já foi o tempo que tal selo significava qualidade certa. Ao aumentar significativamente a produção parece que o primor ficou em segundo plano (vide títulos como: Zerando a Vida, 7 Años, Rebirth, etc). A narrativa nas mãos de um diretor mais experiente, Alistair Legrand está apenas no segundo longa da carreira, poderia ser bem mais do que foi. Parte do resultado pouco satisfatório se deve a ele.

Em todas as cenas de tensão o som é aumentado para reforçar o clima, porém o efeito causado é o oposto. Esse jumpscare sonoro é vazio e batido. Cortes bruscos geram uma pseudo intensidade. A câmera por vezes fica na mão, tremida, e com movimentos firulentos a troco de nada – como em cenas que a coisa fica de cabeça pra baixo (sério que foi esse o recurso usado para dizer que a mente da personagem estava confusa?). E deixar a tela toda preta ou toda branca em alguns momentos só me fez pensar que a minha televisão pudesse estar com algum defeito.

A história também não é nenhuma maravilha. Uma psiquiatra tem um insucesso grave com uma paciente. Após aquele incidente ela é confrontada com os fantasmas passados, literalmente em alguns momentos – há inclusive uma referência na TV ao Um Conto de Natal (Os Fantasmas de Scrooge). Na tentativa de seguir em frente ela lida com a ambiguidade de tratar de casos monótonos ou de pacientes que possuem traumas mais fortes. A partir dessa premissa, poderíamos ter um filme interessante. Os caminhos percorridos em Clinical vão ladeira abaixo com opções equivocadas de diversas naturezas.

Toda a metáfora de não se reconhecer (um dos personagens tem o rosto transfigurado) é trabalhada de modo raso. Seja, visualmente na cortina se fechando e não mostrando o rosto de forma clara; seja textualmente, onde a protagonista não segue a própria filosofia.

A trama serpenteia entre clichês, momentos confusos e uma previsibilidade que alguém com um mínimo de bagagem no gênero perceberá a hora que as coisas vão se transformar. Confesso que pensei em um final ainda pior, por sorte a resolução não me apresentou aquela possibilidade. Mas o escolhido, pode-se dizer que foi o segundo menos criativo…temos até algo próximo do momento clássico onde “o vilão conta o plano maligno para o mocinho antes de matá-lo”.

Os atores estão perdidos. O material não ajuda, mas cada trejeito, expressão ou até dissimulação soam falsas. Vinessa Shaw não é uma novata, só que até o sorriso dela parece torto aqui. Kevin Rahm está irreconhecível, no bom sentido, porém o personagem é tão mal escrito que nem a interpretação digna dele se salva. A jovem India Eisley, que já participou da franquia Anjos da Noite, limita-se a olhar de cima pra baixo e fazer cara de fantasma.

Não tenho problemas com cenas gore. Em Clinical, contudo, elas aparecem sem pudor. O problema é que soam gratuitas – parece que os responsáveis tinham uma cota de sangue cenográfico para gastar antes que a validade acabasse, então jogou-se tudo em tela de forma quase aleatória. Além disso, alguns dos efeitos e maquiagem soam mais patéticos que aterrorizantes.

Clinical é envolto por uma aura de elementos ruins trabalhando juntos para serem ruins uniformemente. A primeira mensagem do trailer é de que o filme não é para todas as audiências, neste ponto eles têm razão….

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  • Fernanda Costa

    Filme muito ruim, tinha tudo para ser bom, e o final sem pé nem cabeça.

    • Lucas Albuquerque

      Como eu coloquei no texto, nem só o final foi problemático… mas sim, ele é a pior coisa do filme. Valeu pelo comentário 😀

  • Daniel Calegari

    Pois é, o filme estava muito bom até ela ser internada… seria um final razoável ou ótimo (caso dissesse que ela era a própria menina delirante e uma péssima terapeuta).

    Mas não!

    Tinha que continuar e fazer um happy-end com matança, aí estragou o filme e virou terrorzinho bobo e confuso (ela feriu e arrancou a pele de máscara do Alex, que é o pai estuprador da menina, que lhe desfigurou o rosto, ah, ‘tá).

    • Lucas Albuquerque

      eu, como você viu no texto, tive até menos boa vontade com o resto do filme… mas sim, o final em especial é uma bagunça…
      Valeu pelo comentário… 😀