Crítica (2): Ouija – Origem do Mal

Crítica (2): Ouija – Origem do Mal

Ficha técnica de Ouija:

Direção: Mike Flanagan
Roteiro: Mike Flanagan, Jeff Howard
Elenco: Henry Thomas, Elizabeth Reaser, Doug Jones, Parker Mack, Sam Anderson, Kate Siegel, Annalise Basso e Lulu Wilson
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2016 (20 de outubro de 2016 no Brasil)
Sinopse: Doris é uma garotinha solitária e pouco popular na escola. Sua mãe é especialista em aplicar golpes em clientes, fingindo se comunicar com espíritos. Mas quando Doris usa um tabuleiro de Ouija para se comunicar com o falecido pai, acaba liberando uma série de seres malignos que se apoderam de seu corpo e ameaçam todos ao redor.

ouija-posterOuija – Origem do Mal tem todos os esteriótipos para ser mais um daqueles filmes de terror genérico lançados durante o ano. Tem um subtítulo horrível, fala sobre um tabuleiro deveras desgastado nos projetos do gênero, e para completar ainda é um prequel do filme Ouija (2014). Mas, assim como Invocação do Mal 2, Ouija – Origem do Mal quebra a barreira imposta pelas estatísticas e nos entrega um terror contido e introspectivo que explode em seu clímax, e embora não seja original, é muito eficiente.

Logo na primeira cena da projeção, notamos uma preocupação com o design de produção. Os carros de época e todo o figurino e maquiagem trabalham juntos para compor enquadramentos bonitos que exalam a década na qual se passa o filme (60), ainda fazendo marcas de queimado no canto superior direito da tela para representar antigas películas nas quais eram gravados os filmes na época. Além disso, toda a primeira sequência é usada para nos apresentar o contexto das personagens Alice, Paulina e Doris, uma família que recentemente perdeu o pai e ainda vive o luto, obviamente gerando um problema financeiro grave. O silêncio das personagens em tela misturado com apenas o barulho (tic-tac) do relógio formam perfeitamente um ambiente de tensão e angústia no espectador que espera a qualquer momento levar um susto.

Os movimentos de câmera são eficazes e raramente se destacam da composição como um todo, ou seja, nunca nos faz lembrar que realmente estamos assistindo a um filme e que tem gente por trás daquelas lentes. A câmera nos faz crer que estamos presenciando a história de uma família real e angustiada pela morte de um ente querido. Por outro lado, a mise-en-scene é de uma beleza exuberante, toda a geografia da casa é usada de maneira eficaz pelo diretor de fotografia Fimognari, que a utiliza junto com uma iluminação escura para esconder pequenos movimentos sobrenaturais nos cantos dos quadros e nunca os revelando de verdade. Ou mesmo quando Doris aparece possuída para o espectador, mas para a irmã mais atrás está apenas fazendo algo estranho.

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Com o roteiro básico de uma família desestabilizada – história essa utilizada por A Bruxa, Invocação do Mal 2 e Lights Out, apenas esse ano – o diretor e roteirista Mike Flanagan fica preso em ter que ligar esse longa ao de 2014, minando boa parte da criatividade do realizador e fazendo com que tenhamos poucas surpresas ao longo de todo o filme (pelo menos, para quem viu o anterior). Entretanto, Flanagan segura essa falta de surpresas com sustos inesperados onde não utiliza a trilha para telegrafar o momento exato do ocorrido, como também em momentos que nos leva a uma viagem psicológica sobre a personagem adolescente de Pauline: onde ela aparece com a boca costurada, uma representação da falta de voz que tem em casa e a total repressão que sofre sobre seu próprio corpo e a descoberta da sexualidade.

Além disso, Ouija também nos entrega boas atuações das três atrizes principais. Elizabeth Reaser interpreta a mãe das duas meninas e consegue nos passar toda a dor pela perda do marido, e também a sensibilidade e amor que tem para com as filhas. Annalise Basso compõe Paulina, nunca indo além do que poderia fazer, mas nos momentos de maiores emoções consegue tranquilamente passar o que se precisa. E o grande destaque fica por conta da atriz mirim Lulu Wilson em uma atuação espetacular que, nunca perdendo o olhar inocente de uma criança, consegue falar de coisas horripilantes e dantescas.

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Contudo, Ouija peca em alguns detalhes de seu roteiro e de seu tom no terceiro ato. Alguns textos começam a ficar expositivos demais, como na fala: “Jogamos em um cemitério”, sendo que o espectador já tirou essa conclusão. E o terror contido e subjetivo transforma-se em uma explosão de efeitos digitais mal feitos causando um distanciamento entre o espectador e o filme em um momento central da projeção onde mais precisaríamos estar conectados com aquela história e com aqueles personagens.

Por fim, Ouija – Origem do Mal traz em sua estrutura familiar abalada pela perda do patriarca uma metáfora a respeito da opressão da sociedade sobre uma mãe viúva, que além de ter o sentimento de luto para enfrentar, também tem de lutar contra forças externas a expulsando de seu lar, apenas por ser uma mulher que decidiu seguir a vida. Uma grande surpresa!

Escrito por: Will Bongiolo

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  • Renato Santos

    Não vi no cinema mas já to com ele aqui em casa, to louco pra ver e ainda não peguei a casa só a noite, pra entrar no clima.