Crítica: Animais Fantásticos e Onde Habitam (2016)

Crítica: Animais Fantásticos e Onde Habitam (2016)

Animais Fantásticos e Onde Habitam pode ser um afago para os fãs, mas entrega bem menos que promete.

Ficha técnica:
Direção: David Yates
Roteiro: J.K. Rowling
Elenco: Eddie Redmayne, Dan Fogler, Katherine Waterston, Alison Sudol, Colin Farrell, Johnny Depp, Ezra Miller
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2016 (17 de novembro de 2016 no Brasil)

Sinopse: o britânico Newt Scamander (Eddie Redmayne) vai para Nova York carregando uma mala cheia de criaturas que ele estuda, querendo provar para o mundo bruxo que elas não são perigosas. Ao mesmo tempo a cidade, que é bem restritiva à criação de animais mágicos, vive uma ameaça obscura.

Animais Fantásticos e Onde Habitam

Falar do sucesso literário e cinematográfico de Harry Potter é chover no molhado. A franquia que deixou fãs órfãos em 2011 retorna o universo para as telonas, agora contando uma nova história e dando um pontapé para outra saga. A pergunta que fica é: seria necessário? Uma mistura de alegria e tristeza tomou conta daqueles que acompanharam o bruxinho crescendo e tiveram que se despedir há 5 anos. Mesmo com a J.K. Rowling no roteiro, a sensação é de caça-níquel.

Algumas décadas antes dos acontecimentos dos 8 filmes anteriores, e se passando em outro continente, Animais Fantásticos e Onde Habitam pode funcionar para aqueles que estão imersos no mundo Harry Potter, mas não traz uma narrativa com viço. Semelhante ao que vimos em Warcraft, muitas referências vão se perder para o público leigo e o visual e apuro técnico vão se sobressair em relação ao roteiro.

Logo no começo há um contexto histórico do mundo mágico a partir de manchetes que pipocam na tela. Recurso questionável, mas de certo modo eficaz. Contudo o 3D funcionou a tal ponto que chegou a me incomodar – a tecnologia é bem usada no restante do filme. Não tarda para acompanharmos o desajustado Newt Scamander (Eddie Redmayne) em uma empreitada de passar incólume com uma maleta incrivelmente recheada de todo tipo de ser que se tem direito. O que vemos então é uma descontraída aventura em um banco, onde os fãs reencontram as possibilidades mágicas, mesmo em um ambiente não mágico.

Animais Fantásticos e onde Habitam

Posteriormente tudo é potencializado no ministério/congresso da magia. Os cenários impressionam, o CGI é muito bem utilizado. Ver a magia na construção do ambiente torna tudo mais divertido. O design das criaturas também é bem explorado e a cada novo ser que aparece causa um arregalar de olhos. Há um misto de animal de estimação fofinho com ameça apocalíptica que funciona. Quando a história estanca para nos apresentar a fauna de Scamander, temos um grave problema de ritmo narrativo, mas sem dúvidas um acerto visual. Efeitos visuais e design de produção pode ser lembrados em premiações no ano que vem.

O grande problema do filme é exatamente, e infelizmente, a história. Fraca, clichê e nos levando de um ponto A ao B com com viradas óbvias. O “caça ao tesouro” fantástico não empolga e fica muito corrido. Por outro lado, há subtramas que demoram para ter conexão. O arco do “trouxa”, no-maj (nomenclatura para designar quem não é bruxo nos EUA),  Jacob Kowalski (Dan Fogler) é bem mais interessante que o do protagonista. Kowalski é um doceiro que está tentando abrir uma padaria e acaba se envolvendo completamente por acaso na história. Fogler dá um show como alívio cômico e olhar do público. Junto com Queenie Goldstein (Alison Sudol), uma bruxa capaz de ler mentes, eles nos entregam os melhores momentos não visuais de Animais Fantásticos e Onde Habitam. A química/curiosidade mútua é eficaz em todos os níveis. Ao contrário de Eddie Redmayne e Katherine Waterston que estão sem sal e nada marcantes. Ele caricatural e ela no automático. Os dois juntos nem esbarram no que Sudol e Fogler apresentaram.

Os fan services, como a citação de uma famosa família de bruxos e de um professor, não chegam a atrapalhar, porém deixam o público ocasional perdido e com uma sensação de pontas soltas. Quem for fã vai vibrar com cada referência, quem não for poderá ficar entediado ou se divertir com moderação. Um começo leve, um desenrolar que não avança e um final que não termina podem tiram pontos preciosos aqui. Há ainda uma esquizofrenia: o primeiro arco tem forte tom cômico, o segundo aventuresco e o final descamba para um terceiro…. Sair do ápice do 8 filmes, Relíquias da Morte – parte 2, e voltar para um novo começo requer um certo desafio que não é plenamente gratificado em Animais Fantásticos e Onde Habitam.

 

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