Crítica: 7 anos (2016) – Original Netflix

Crítica: 7 anos (2016) – Original Netflix

7 anos tem uma boa premissa, mas a execução soa amadora.

Ficha técnica:
Direção: Roger Gual
Roteiro: Jose Cabeza, Cristian Conti, Julia Fontana, Roger Gual
Elenco: Alex Brendemühl, Paco León,  Juana Acosta, Manuel Morón,  Juan Pablo Raba
Nacionalidade e lançamento: Espanha, 2016 (28 de outubro no Brasil – direto na Netflix)

Sinopse: quatro amigos/sócios têm um problema fiscal na empresa que trabalham e decidem usar um deles como bode expiatório. A partir de debates e uma votação no grupo, quem for o indicado vai ser preso por 7 anos.

7-años

A Netflix expandiu o catálogo de filmes originais de uma forma muito grande. Ultimamente uma produção atrás da outra tem chegado ao serviço. The Siege of Jadotville, Extremis e Mascots são exemplos. 7 anos é a primeira de origem espanhola e vem com uma ideia boa e simples, porém não é tão eficaz quanto às obras anteriores. Ao se pautar em diálogos constantes pode afastar aqueles que preferem um longa mais visual. Contudo, aproximaria-se dos que apreciam um bom roteiro.

Porém nem nesse quesito 7 anos se sai bem. Vamos aos poucos conhecendo a função e a personalidade de cada um dos quatros integrantes, com muito boa vontade você torce por algum deles. Isso não ocorre de maneira mais fácil, pois o esforço para que o público se importe com eles é feito de forma pouco orgânica. Aliás, tudo ali soa meio falso. O grupo contrata um mediador para ajudar na decisão de quem vai ser intimado a se voluntariar para cumprir a pena pelos outros. Alguns – muitos – diálogos dele ficam sem a organicidade que a história pedia. Os demais personagens não tem camadas e as mudanças de opinião estão ali mais para causar viradas – óbvias – do que uma profundidade real.

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Os embates entre ficam muito marcados. O que foi um demérito também dos atores. As interpretações são duras e não conseguimos sentir empatia por aquelas figuras. Não dá pra reclamar de falta de coerência: tal como o texto, as atuações ficam forçadas e sem naturalidade. Outro grande problema foi a movimentação de câmera. Ela transita de forma brusca e nos retira da imersão da história – caso o roteiro e o atores já não tenham conseguido antes…Talvez em uma tentativa (frustada) de dar dinamicidade aos diálogos e captar emoção dos atores.

A casa na qual se passa a história tem um design bem variado. Os cenários são cheio de elementos que poderiam ser melhores explorados. Vale o destaque, contudo, para um jogo de totó/pebolim logo no começo de 7 anos. Notadamente uma alusão à situação dos personagens, onde eles estão presos uns aos outros. O uso das cores também é eficaz em estabelecer a relação do ambiente com os envolvidos.

7 anos deixa um gosto amargo tendo em vista o potencial desperdiçado. O lance final vem como a frustração derradeira em uma saída que utiliza um recurso preguiçoso, típico deus ex machina. As boas reflexões que o longa poderia suscitar são enfraquecidas por um roteiro, direção e atuações ruins. Esse mesmo argumento em mãos mais sutis poderia entregar uma obra mais marcante e vigorosa. Ainda assim, com uma suspensão de descrença e dada a curta duração (menos de 1h20), pode não ficar uma experiência tão ruim quanto parece….

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