“Black Mirror: Hated in the Nation”

“Black Mirror: Hated in the Nation”

Em Black Mirror, nessa terceira temporada, é possível perceber o retrato das vontades em potência e não em ato que as pessoas têm quando ao redor daqueles que são vistos, por tais, como objetos desejados, ou seja: ser o que não se é. Explorar fraquezas diante de comportamentos os quais na verdade estão para além do que se pode considerar como seu, íntimo, do interior. Tentar ser algo diferente de si, distante do que se é; tentar ser como que num movimento de busca, só que no meio de tudo, não sendo nada, nem o ser que é, tanto quanto o ser em busca, é como estar num limbo escorregadio, sem equilíbrio e perdido mesmo acreditando ter um foco – cego – à seguir. No episódio Hated in the nation não é diferente.

Tudo começou num dia ensolarado: 15 de Março. A refeição natural comprada no mercado, a casa inteligente e o desejo de comer apenas um pote cheio de fritas e ignorar a dieta, e embora a narrativa não se baseie exatamente nessa situação, é dela que vamos acompanhando o que vem pela frente. A morte de uma jornalista acaba sendo o ponto-central da trama, porém o importante acaba sendo delineado aos arredores do aparente. Segundo Schopenhauer: “Aquilo do que se faz aqui abstração, é sempre a VONTADE, única que constitui o outro lado do mundo. Pois assim como este é, de um lado, inteiramente REPRESENTAÇÃO, é, de outro, inteiramente VONTADE. Uma realidade que não fosse nenhuma dessas duas, mas um objeto em si, é uma não coisa fantasmagórica, cuja aceitação é um fogo fátuo da filosofia.

A era do vazio a qual diz respeito, basicamente, a ideia por trás da série Black Mirror, por si só consegue nos trazer aberrações, horror e fatos inescrupulosos os quais jamais imaginaríamos estar vivos para conviver com. A geração “inteligente” que faz tudo para nós, em certa medida, faz demais e esse extra – como que para além do necessário, se é que o é – acaba sendo mandatório de nossas vidas, ou seja, nos guia, nos alimenta, nos conforta, nos faz mal, etc. A cultura dos “likes” está realmente imposta e reluzente diante de todos nós. Os celulares que usamos diariamente estão cada vez mais indicando o mapa de caminhos que temos que trilhar, mesmo porque, hoje em dia, existem empresas que dão suporte a pessoas que desejam ter mais seguidores no Instagram por exemplo. A questão que permeia todos esses embrólios se faz necessária à reflexão, isto é: por que estamos vivendo dessa forma? Para quê, com qual finalidade? Seria uma busca pela Felicidade? Status? Reconhecimento? Carência?

O que um hashtag pode provocar numa sociedade é aterrorizante. O significado das coisas estão gradualmente perdendo suas próprias significações. O novo é visto sempre como uma necessidade e não como uma escolha, mesmo porque o sentido do que se é considerado necessário já não tem mais o mesmo significado.

O regime hiperindividualista de consumo que se expande, como Gilles Lipovetsky afirma, “é menos estatuário do que experimental, hedonista, emocional, em outras palavras, estético: o que importa agora é sentir, viver momentos de prazer, de descoberta ou de evasão, não estar em conformidade com códigos de representação social.”

Estamos todos, no fim, em busca de uma felicidade paradoxal.

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