Crítica: Fora do Rumo (2016)

Crítica: Fora do Rumo (2016)

Fora do Rumo é um típico filme com a assinatura Jackie Chan.

Ficha técnica:
Direção: Renny Harlin
Roteiro: Jay Longino,  BenDavid Grabinski
Elenco: Jackie Chan, Johnny Knoxville, Bingbing Fan, Winston Chao
Nacionalidade e lançamento: Eua, China, Hong Kong, 2016 (27 de outubro de 2016 no Brasil).

Sinopse: Bennie Chan (Jackie Chan) é um policial que, após a morte do parceiro, busca provar que Victor Wong, um grande empresário, é O Matador – um terrível criminoso por trás de todo o submundo chinês. Nessa busca ele encontra Connor Watts (Johnny Knoxville) que estava em uma enrascada com a mafia russa. Juntos passarão por diversas aventuras.

Fora do Rumo

Se você gosta do humor do Jackie Chan e quer vê-lo mais uma vez saltando, dando pontapés e usando tudo em volta como arma, então deve se divertir com Fora de Rumo. Caso não curta as peripécias do ator, então poderá até esboçar algum sorriso, mas a troco de passar por um longa cheio de problemas no roteiro, direção e montagem.

A fisicalidade de Chan aos 62 anos é inegável. Flexibilidade, belas coreografias e um humor genuíno são ainda presentes. Mas o tempo chega e, por exemplo, em cenas de corrida fica notória a idade – ainda assim dá para causar inveja em muitos jovens (principalmente no autor deste texto). Para além dessa questão, o que pesa mesmo é a piada monotônica onde ele pega algum objeto improvável – ou nem tanto – e cria um novo sentido ao levar os oponentes ao nocaute com uma lâmpada ou quando usa o próprio corpo do rival como artifício na luta – algo caro nas artes marciais, usado e abusado aqui. Sem esquecermos do grande poder: o de transformar os inimigos em idiotas, na medida que convém.

A trama é um gigantesco road movie asiático. Os ciclos são: andar em veículos exóticos, encontrar pessoas e se meter em enrascadas. Dada as repetições caberia em uns 25 minutos a menos, as barrigas aqui são consideráveis. Um filme de ação e comédia, dois gêneros em geral bem movimentados, ficar entediante e sonolento não é bom sinal.

Por sorte a parceira da vez de Chan é com Johnny Knoxville (Jackass). A dupla se pauta muito em oposições óbvias. Enquanto o americano é mulherengo e malandro, Chan é honrado e resoluto. Todavia, realmente eles funcionam e têm carisma. A permanência deles juntos, como dupla, é muito forçada em alguns momentos, mas a dinâmica e os diálogos vão bem – veja bem: nada espetacular, apenas ok (saudades de Russell Crowe e Ryan Gosling no Dois Caras Legais). Os personagens secundários são muito esquecíveis e nulos, merecendo apenas essa quantidade de palavras.

Outro problema (sim, são vários) é a previsibilidade do roteiro e as antecipações – aqui até das piadas – graças a um auto-boicote da direção/montagem. Várias cenas gritam o que vai acontecer em seguida. As viradas podem ser percebidas com pouco tempo de filme. Uma coisa é fato: as bases para as revelações são plantadas em tela, ou seja, as coisas não são tiradas do nada. O problema (falei que eram muitos) é que fica explícito e elas são preguiçosas.

Fora do Rumo

Há momentos isolados que valem o destaque positivo (finalmente). Um grupo improvável cantando Rolling In The Deep da Adele. O uso da boneca russa/Matriosca em um dado momento é daqueles que a piada chega um minuto antes, mas é impossível não rir. A parte cultural traz cenas bonitas e arranham mostrar coisas da cultura chinesa e da Mongólia, algumas mais comuns e outras mais raras no ocidente. Há até uma piada autoconsciente sobre o excesso de cultura.

No mais, Fora do Rumo é genérico e mais do mesmo – a cena que vem após os créditos iniciais é um exemplo claro. Pode fazer rir, mas é redundante em várias sequências. A trilha é pop e tenta elevar o tom junto com a montagem (novamente ela) que tem cortes rápidos e cartunescos. Bem, não à toa uma das melhores coisas envolvendo o Jackie Chan foi o desenho animado…

 

 

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