Crítica: Kubo e as Cordas Mágicas (2016)

Crítica: Kubo e as Cordas Mágicas (2016)

Kubo e as Cordas Mágicas é um drama familiar em uma fantasia alegórica e com algum cheiro de Oscar….

Ficha técnica:
Direção: Travis Knight
Roteiro: Marc Haimes, Chris Butler, Shannon Tindle
Dubladores: Art Parkinson, Charlize Theron, Ralph Fiennes, Rooney Mara
Nacionalidade e lançamento: EUA, 2016 (13 de outubro de 2016 no Brasil)

Sinopse: Kubo é um menino bem especial. Ele usa magia para contar histórias em uma pequena vila no Japão. Mas um passado sinistro com as tias e avô vem à tona e ele tem que partir em uma grande jornada.

Kubo e as Cordas Mágicas

Narrativa dentro de narrativa, alegorias, tradições milenares, drama, aventura, terror e ação. Kubo e As Cordas Mágicas tem tudo isso. Alguns desses elementos funcionam mais que outros… Agora o que está pleno é o visual. A cinematografia é impressionante, algo que pode ser notado nas fotos e trailer. Não dá pra acreditar que foi feito em Stop-Motion, em um requinte que lembra o que vimos recentemente em Anomalisa. Porém ela não é só visualmente bela. Tal como lá, aqui as imagens funcionam narrativamente e são criativas. Recomendo que aprecie a tela na totalidade, repare nos cenários ao fundo e movimentação das pessoas e natureza.

Há uma certa ousadia na medida em que em uma camada superficial o texto é claramente infantil. Porém, o clima melancólico da fotografia e da história em si, pode ser um desafio o público mais infantil. Mesmo com traços fortes da estrutura da jornada do herói, fato é que não se pode acusar esta animação de ser mais uma.

O roteiro é bem eficaz em plantar o que você precisa saber nos momentos devidos e dar a oportunidade que a gente colha, também de forma precisa. Mas ele fica familiar demais principalmente no segundo e terceiro arco. E familiar nos dois sentidos: o de antevermos os acontecimentos e o de se concentrar nos imbróglios parentais.

Um ponto negativo é o excesso de exposição, sem dúvidas algo que incomoda muito. Volta e meia alguém conta algo para Kubo que ele já sabia. Ou seja, aquilo está lá para que o público também saiba. Um recurso que não condiz com o resto da qualidade da produção. Há, também, duas grandes viradas. A segunda boicotada pela primeira. Este erro, menos grave que os dos diálogos que duvidam da nossa inteligência. Algumas transições e resoluções são feitas de modo abrupto, principalmente na aventura vivida no segundo arco.

Kubo e as Cordas Mágicas

O “poder” de Kubo é ativado a partir das cordas de um shamisen, um instrumento japonês. Dessa forma o som aqui tem uma grande importância. A sinestesia de usar visualmente as questões sonoras se assemelha ao que foi feito em O Menino e o Mundo. Ao tocar as cordas ele dá vida a origamis. E com eles, Kubo narra para as pessoas do povoado a história de um grande guerreiro. Vemos aqui uma explícita rima textual com o passado do jovem. Esse recurso é muito melhor do que as famigeradas exposições anteriormente citadas.

O tom de Kubo e as Cordas Mágicas é bem sombrio em parte da história. O chamado das malvadas tias dele, o sussurro aterrorizante: “kuuuuubooooo” é mais assustador que muito filme de terror por aí. E não é qualquer filme que tem um o protagonista, uma criança, com um olho roubado pelo avô. Ou então tratar de morte de um jeito tão delicado e impactante.

Kubo e as Cordas Mágicas

Para contrapor esse lado mais soturno, temos vários alívios cômicos. E esses momentos mais descontraídos são pedidos por uma simpática senhora – ela por si só já é um alívio cômico – nas histórias que Kubo conta “coloque uma galinha cuspindo fogo, as pessoas precisam rir um pouco também”. A metalinguagem, portanto, é outro elemento que está presente e funcionando bem. O alerta de Kubo para o público: “não pisquem”, também coaduna com essa ferramenta.

Kubo e as Cordas Mágicas é forte candidato ao Oscar ano que vem, atualmente junto com Zootopia e Procurando Dory. E não falo isso à toa. Além das comparações com Anomalisa e O Menino e o Mundo, há uma consciência familiar como em Divertida Mente. Sendo apreciado em diversas camadas. Além de possuir um que lúdico-fantasioso tal qual Quando Estou com Marnie (este Japonês de fato, enquanto Kubo é uma produção americana que se passa no Japão). Todo esse diálogo com as animações da última premiação pode ser um indicativo que Kubo está no caminho certo.

Sinceramente estou curioso pela reação do público. Este é um filme fácil e difícil ao mesmo tempo. Essa dualidade pode causar reações diversas. Eu mesmo demorei para digerir toda aquela obra. E ainda acho que não o fiz.

Ps: a sessão para jornalista foi dublada. Pelo pouco que vi da legendada recomendo fortemente o áudio original – como de praxe. E o trailer dá um tom muito mais leve que o filme entrega.

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