Crítica: Um Homem Só (2016)

Crítica: Um Homem Só (2016)

Um Homem Só quase não é um filme só.

Ficha técnica:
Direção e roteiro: Cláudia Jouvin
Elenco: Vladimir Brichta, Ingrid Guimarães, Mariana Ximenes, Otávio Müller,Eliane Giardini, Milhem Cortaz
Nacionalidade e lançamento: Brasil, 29 de setembro de 2016

Sinopse: Arnaldo (Vladimir Brichta) está com problemas no trabalho e principalmente com a esposa Aline (Ingrid Guimarães) que quer ter um filho. Ele resolve se clonar para que o duplo dele possa arcar com essas obrigações. Mas a coisa se complica: perseguições, romances e reviravoltas farão parte dessa história.

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Boa parte público médio tem filmes de comédia com atores da Globo como primeira lembrança ao ouvir “cinema nacional”. A cena pré-créditos iniciais remete a isso. Vladimir Brichta e Ingrid Guimarães fazem um casal com problemas e tem descontraída conversa. Não tarda, no entanto, para Um Homem Só enveredar para uma ficção científica cujo mote é a clonagem. Depois cair em um romance/triângulo amoroso com a entrada da personagem da Josie (Mariana Ximenes). E tem traços, ainda, de drama e mistério.

As transições temáticas acabam quebrando a identidade do longa. A tentativa de abraçar vários públicos faz você se perguntar que filme está assistindo. A qualidade e o timing cômico dos atores (incluindo aí os coadjuvantes Otávio Müller, Eliane Giardini e Milhem Cortaz) faz com que a comédia seja o (saturado) gênero mais bem sucedido aqui. A personagem Aline (Ingrid Guimarães) poderia ter mais espaço, já que todas as cenas com ela funcionam. Ingrid, inclusive está em uma boa fase, vide Entre Idas e Vindas e, principalmente, Um Namorado Para Minha Mulher.

O que poderia ser o foco, a questão do duplo, não traz grandes novidades e boa parte de Um Homem Só cede espaço para outras tramas, notadamente o romance. Os dilemas de Arnaldo (Vladimir Brichta) são os mesmos de sempre em longas com essa abordagem. Há alguns signos, como mostrar na TV o filme do Frankenstein ou a bebida transformá-lo em outra pessoa. Nesse sentido o conciso Dois Remi, Dois e o nacional Desculpe o Transtorno são melhores realizados e exploram mais o tema. Aqui, por exemplo, caracterização dos “vilões” não é verossímil e tampouco engraçada – sendo desnecessária.

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As atuações estão boas e cada um cumpre o papel com eficácia. Mariana Ximenes já está no 4º longa do ano (Prova de Coragem, Zoom, Uma Loucura de Mulher) e vem mais por aí ainda em 2016. A maquiagem, com as sardas, ajudou na composição final e atriz ora parece uma menina e ora uma mulher (também metáfora para o duplo?). Milhen Cortaz também já fez bastante coisa no ano (Mais Forte que o Mundo, por exemplo) aqui ele se desnuda da figura que o marcou e vai bem mesmo só tendo uma ponta. Otávio Müller é um ótimo escada e faz a figura do amigo/conselheiro/colega de trabalho com propriedade, apesar do papel não exigir muito.

Já Vladmir Brichta, como diria o Faustão, deve ter ganho salário dobrado. Mesmo com um sósia, o ator tem que se desdobrar. Fato é que ele não imprime uma diversidade física como um Jake Gyllenhaal em O Homem Duplicado, mas não deixa a desejar nos diversos momentos que o filme pede. Transparece um bom cansaço, desnorteamento, ímpeto, paixão e humor, é claro.

O filme tenta ser um respiro de inovação, mas é mais do mesmo. Tem boas atuações e é bem filmado. No entanto um prolongamento ocasionado pela falta de identidade e foco narrativo enfraquece o todo. Um Homem Só, portanto, poderia ser muito melhor do que é.

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