Crítica: O Lar das Crianças Peculiares (2016)

Crítica: O Lar das Crianças Peculiares (2016)

O Lar das Crianças Peculiares  é uma mistura de x-men e Alice através do espelho.

Ficha técnica: 
Direção: Tim Burton
Roteiro: Ransom Riggs, Jane Goldman
Elenco: Asa Butterfield, Eva Green, Samuel L. Jackson,  Judi Dench
Nacionalidade e lançamento: EUA, Bélgica, Reino Unido, 2016 (29 de setembro de 2016)

Sinopse: Jake precisa ir atrás de um orfanato que abriga crianças peculiares, com habilidades especiais, para provar para si mesmo e para os outros que o avô estava certo.

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Tim Burton fez alguns longas marcantes. Já em outros mais recentes deixou a desejar. Infelizmente parece que a boa forma ainda não voltou. Em O Lar das Crianças Peculiares há o predomínio da fantasia que lhe é cara. Nela, isoladamente, ele sabe ter alguma eficácia. Mas ele também transita aqui em aventura, romance e terror, todos sem sucesso. E mesmo com alguma beleza falta sustância no gênero principal. Há contexto, há um carinho no nosso olhar e há potencial, mas falta algo – na real falta muita coisa. Vários elementos explicam esse fracasso. A história, apesar de circular em uma questão temporal, é narrativamente linear. O protagonista Jake (Asa Butterfield) vai de um ponto A a um ponto B e seguindo os passos da jornada do herói. Você sabe onde a trama vai chegar, sendo portanto mais um clichê nada desafiador.

O começo do longa era promissor. Você acredita naquele universo dado o jeito que o avô o narra para o neto. No mínimo desperta curiosidade. As figuras que aparecem também geram um certo mistério e uma vontade de entrar no mundo da história. E as crianças são mesmo peculiares, há uma criatividade na composição delas. Já a senhorita Peregrine (Eva Green), dona do lar/orfanato, tem uma atuação com alguns maneirismos e me soou um tanto afetada.

Porém o que ajuda a ruir o filme é o protagonista. Tanto o personagem – menos profundo e interessante que imaginávamos – quanto o ator, o jovem Asa Butterfield. Ele que fez bons trabalhos, como no A Invenção de Hugo Cabret, aqui não tem vigor que seria necessário para sustentar a trama. A falta de expressão o torna nada peculiar. O que aliás é um problema de todo o longa. Um filme com esse título teria a pretensão de ser algo que definitivamente não é.

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A escolha de Burton se mostrou um erro e um acerto. Nome melhor talvez só Guilhermo del Toro, porém Tim Burton seria um nome óbvio para criar aquele lar algo impressionante para o público. Algo no design de produção está com a marca dele, mas as firulas do diretor parecem não convencer mais. Todavia, como eu disse, a fantasia em si não é o problema. A fotografia, aliás, sabe utilizar esse fator para criar boas composições, sendo um dos pontos dignos de elogio.

O que vemos mesmo é apenas uma aventura boba, que se faz de complexa em algum momento – sem efetivamente sê-la. Personagens entram e saem da trama quando estávamos tentando nos afeiçoar a eles. Os vilões não entregam o terror que prometiam (o Samuel L. Jackson até se esforça de alguma maneira, porém o material é muito pobre). O arco principal é vazio e até piegas. A relação do neto com o avô poderia ser muito mais explorada. Em um dado momento achei que o filme fosse terminar do nada para ter uma continuação. Felizmente há um final aqui, mas infelizmente talvez fosse melhor não ter…

O Lar das Crianças Peculiares começa bem, tem algum apuro visual e uma grande promessa. No mais é cansativo, pueril e nada peculiar, talvez seja melhor você ficar no teu Lar do que ir ao cinema.

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  • Luiza Mota

    Sinceramente, não entendi o que Tim Burton & Cia pretendiam com esse filme. Ocorreram tantas mudanças do material original para transformar o resultado final em uma bagunça tediosa. Não fui ao cinema esperando muita coisa, uma vez queTim Burton tem o toque de Midas reverso já há algum tempo, mas nada me preparou para o quão chato esse filme foi. Sem falar do final, que na minha opinião tem um furo enorme. Não ouvi ninguém falando dele até agora, então posso ter entendido errado (dada a bagunça que foi o terceiro ato em particular, é bem possível). Enfim, está cada vez mais difícil ir ao cinema assistir à adaptações de livros.

    Sobra a escolha de Burton como diretor: no fim das contas, sinto que podia ter sido qualquer um. O material original já tem essa aura fantástica e obscura que os filmes de Burton costumavam ter e o filme dilui muito essa aura para, acredito eu, tornar a história mais palatável para uma audiência maior. No entanto, algumas mudanças tornaram a história mais bizarra e “creepy”. Volto a dizer: não sei o que pretendiam com esse filme.

    Parabéns pela ótima review! Gostaria de tê-la lido antes de ir ao cinema e de ter jogado fora muitos reais…

  • Lucas Albuquerque

    Não li o livro e em geral, mesmo quando leio o material original, não espelho o livro e o filme. Mas já vi fãs dizendo que a obra é muito mais complexa e instigante do que foi a expressão cinematográfica, uma pena…

    A escolha do Burton poderia ser uma boa para ele otimizar a aura que você mencionou, mas se fosse o Burton de outros filmes, não dos mais recentes (“toque de midas reverso” foi ótimo),

    Obrigado pelo elogio, volte mais vezes 😀