Crítica: Demônio de Neon (2016)

Crítica: Demônio de Neon (2016)

Ficha Técnica de Demônio de Neon. 

Direção: Nicolas Winding Refn (Drive)

Roteiro: Mary Laws e Nicolas Winding Refn

Elenco: Elle Fanning (Trumbo), Jena Malone (Jogos Vorazes), Bella Heathcote (Orgulho e Preconceito e Zumbis), Abbey Lee (Mad Max), Keanu Reeves (Bata Antes de Entrar)…

Sinopse: Jesse (Elle Fannng) é uma jovem que acaba de chegar a Los Angeles. Dona de uma beleza natural impressionante, ela tenta a sorte como modelo profissional. Após tirar algumas fotos mórbidas para um jovem fotógrafo, é contratada por uma conceituada agência de modelos. Bastante ingênua, ela passa a lidar com o ego sempre inflado das demais modelos e também com a maquiadora Ruby (Jena Malone), que possui intenções ocultas com a jovem.

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O diretor Nicolas Winding Refn tem um apelo visual muito bom. Drive (2011), um dos seus principais filmes, consegue promover um espetáculo de cores e filtros ao mesmo tempo em que a narrativa se desenvolve de uma maneira intrigante e eficaz. Porém, após descobrir o fascínio que sua estética traz, se limitou apenas a isso. Seu novo longa Demônio de Neon (2016) é uma junção de belos enquadramentos reunidos para se tornar um filme de quase duas horas.

A fotografia do longa é maravilhosa. Cada enquadramento dá vontade de pausá-lo, emoldurá-lo e colocá-lo na parede do quarto. Porém, ainda que essa estética tente conversar com a narrativa, esta se perde na maioria das vezes. É interessante notar como ele usa o tom roxo para transmitir a mensagem de que a Jesse está entrando em um mundo de morte, assim como usa o vermelho para demonstrar a violência da cidade. Entretanto, na maioria das vezes, usa isso para apenas deixar o filme mais bonito, como na cena ao qual Jesse recebe flores e deita-se em um local extremamente vermelho, ou noutra na qual ela aparece alisando o próprio corpo em um ambiente bonito.

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Sendo assim, o roteiro parte do pressuposto de quanto mais óbvio, melhor será a compreensão do incompreensível filme. Além de verborrágicas, as falas são extremamente ruins, chegando ao cúmulo de ter diálogos como “Elas querem ser eu”, ou “Eu não falaria que você está gorda, mas eu não falar não quer dizer que ninguém vá” e “Não tenho talento nenhum. Mas sou bonita”, entre outras pérolas ditas durante todo o filme, fazendo o espectador gargalhar de tão medonho. Igualmente ruim é sua trama paralela envolvendo Hank, o dono do hotel no qual Jesse está hospedada. Sua trama está ali apenas para dar mais minutos ao projeto, pois perto do terceiro ato sua personagem é abandonada sem ao menos receber um ponto final.

As atuações estão como o diretor gostaria. Jena Malone (Ruby), Bella Heathcote (Gigi) e Abbey Lee (Sarah) atuam de forma mono expressiva, ou seja, não mudam ou evoluem durante todo o filme, sempre fazendo a mesma cara de “vou foder essa Jesse uma hora ou outra”. Já Elle Fanning nunca é testada para valer, pois sua beleza fantasmagórica é a única coisa que importa ao filme (que ironicamente acredita estar criticando justamente isso).

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Ainda assim, podemos perceber que Nicolas Refn acha estar sendo genial em vários momentos. Sendo sintomático notar como em algumas cenas é usada câmera lenta, além da trilha sonora que aumenta o tom em algumas batidas. Em momentos completamente aleatórios como naquela que Jesse está recebendo o vestido para usar na passarela. Mesmo assim, uma das poucas coisas que se salvam em todo o filme também sai do diretor: o primeiro plano usado de forma magistral. Na cena em que Jesse está sendo fotografada, pode-se perceber ao fundo uma parede branca. A cena, até então filmada em plano médio, muda para um plano geral, revelando escuridão e sujeira por trás da parede que agora se mostra um painel. Refletindo assim o mundo da moda.

Por fim, Demônio de Neon busca agradar o espectador com sua estética deslumbrante, mas se esquece de contar alguma história envolvente, ou ao menos acreditar na inteligência do espectador. É apenas uma colcha de retalhos mal feita de vários enquadramentos que poderiam se tornar quadros. Seria mais proveitoso ter feito uma exposição.

Escrito por: Will Bongiolo

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  • Fernando Machado

    Will, você não acha que de repente esses diálogos vazios sejam intencionais do Refn para reforçar a frivolidade do seu objeto de crítica, no caso a indústria da moda? Assim como ele utiliza espelhos para reforçar o fascínio pela imagem, acima de tudo.

    • Will Bongiolo

      Opa, Fernando. Obrigado pela leitura!! Concordo com você. No caso dos espelhos é um lance bem inteligente e bacana. Porém, os diálogos mexem exatamente no conteúdo do filme, e fazê-lo ser raso e sem conteúdo para representar o que se está dizendo é um tiro no próprio pé, pois, teriam maneiras melhores de nos passar isso do que fazendo um filme vazio.