Crítica: Lembranças de um Amor Eterno (La corrispondenza, 2016)

Crítica: Lembranças de um Amor Eterno (La corrispondenza, 2016)

Lembranças de um Amor Eterno está entre os piores filme do ano.

Ficha técnica:
Direção e roteiro: Giuseppe Tornatore
Elenco: Olga Kurylenko, Jeremy Irons
Nacionalidade e lançamento: Itália, 2016 (22 de setembro de 2016 no Brasil)

Sinopse: O professor Ed Phoerum se relaciona, predominantemente, através de cartas e vídeos com a jovem estudante Amy Ryan. Mesmo após o falecimento dele, a comunicação entre ambos é mantida.

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O primeiro lance de Lembranças de um Amor Eterno nos mostra um casal muito apaixonado. Em uma cena que tem algum mérito – exatamente o de evidenciar aquela conjugação – já vemos uma certa insistência em diálogos formulaicos que só transmitem artificialidade. Há também uma marcação pesada da perenidade daquela relação, algo que vamos ser rememorados ao longo de todo o longa. O diretor e roteirista Giuseppe Tornatore parece duvidar da inteligência do público em momentos expositivos, cíclicos e rasos. O pior: tudo disfarçado por um verniz científico – como que para dar um ar (pseudo)intelectual para todo aquele movimento.

O professor Ed Phoerum (Jeremy Irons) tem um charme paternalista e, dado o timing preciso dos presentes e uma onisciência assustadora, é conhecido como “Mago” pela paixão dele, a jovem Amy Ryan (Olga Kurylenko). Mesmo depois de morrer, o professor mantém – como prometido – a relação viva. Ela, uma curiosa estudante que tem como profissão fazer arriscados bicos de dublê, passa o filme quase todo a chorar o amor perdido e se surpreender com as cartas, vídeos e demais mimos do companheiro – mesmo quando esses aparecem pela 45ª vez.

Para ocorrer essa ligação entre Ed e Amy, uma intrincada rede de contatos é formada por ele – que suscita apenas em acontecimentos convenientes e improváveis. Aceitar a premissa exige uma inacreditável suspensão de descrença, mas não é só isso. Mesmo quando a “magia” é subvertida e a comunicação tem ruídos, o que vemos é uma tolice clichê. Ou, pior ainda, no artifício que ele sugere para cessar a relação, se assim for da vontade dela – também frisado inúmeras vezes.

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Parte de Lembranças de um Amor Eterno se passar na tela do computador/celular gerou uma qualidade de imagem condizente com a proposta, porém incômoda – desencadeando uma fotografia pífia. Ausência de tridimensionalidade dos personagens. Apelo à emoção e closes chorosos, ambos reforçados pela trilha sentimental do mestre Ennio Morricone. Não saber a hora de terminar (precisava ter 857 finais? E o escolhido ser habilmente o pior deles?). São opções bem equivocadas e que tornam a trama que já era ruim ainda pior.

Vemos também  no dia a dia de Amy ela circular entre peças de teatro com uma linguagem quase experimental e filmes de ação pipoca. Tal elemento poderia ser uma crítica dizendo que a personagem precisa do emprego que só exige do corpo dela, mas para a mente aprecia uma arte mais refinada. Contudo, durante as peças, ela só fica no celular (e por que raios ela não coloca aquela coisa no silencioso nunca?), gerando assim, apenas uma descompassada rima visual. As cenas nos filmes que ela participa são intencionalmente galhofas. Para além delas, os diálogos com os atores e produção trazem momentos péssimos e desnecessários, todo esse arco poderia ser retirado. E não só aquele…

As subtramas familiares, de ambos os componentes do casal, também serviram, em tese, para dar um acréscimo na constituição daquelas personas. Contudo, outra vez, elas se prestam a um desserviço ao filme. Tornando-o mais longo e ainda mais vazio. Já o ímpeto detetivesco de Amy é pouco explorado e quando o faz também cai no óbvio. Aliás, há uma tentativa irrisória de se estabelecer um suspense na trama. A excessiva exposição nos diálogos fica patente quando esse gênero é acionado. Como se o espectador precisasse que a personagem diga que aquilo que ela tem em mãos é uma câmera.

Lembranças de um Amor Eterno tem elementos de PS: Eu Te Amo e a parte ruim de Interestelar. No frigir dos ovos é um melodrama pueril recheado de conveniências, que abusa de frases de efeito e uma pieguice descarada. Nada salva aqui, sendo o terceiro pior longa que vi no ano (só ganhando de Cantando de Galo e Doonby: todos tem o direito de viver). O filme pode arrancar algumas lágrimas dos mais sensíveis e, portanto, pode ter um público alvo – para chorar com um filme recomendo o Como Eu Era Antes de Você. Contudo, aqueles que prezam por um roteiro minimamente saudável é melhor passar longe.

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