“Bê-a-bá” Cinematográfico: O que é Som Diegético?

“Bê-a-bá” Cinematográfico: O que é Som Diegético?

O que é som diegético? Onde ele se aplica no cinema e porque é importante? Este artigo chegou para começar a explicar o “bê-a-bá” cinematográfico, e assim, te colocar a par de tudo que acontece em uma cena.

Muitas vezes quando estamos gravando o Podcast do Cinem(ação), usamos termos técnicos: plongée, contra plongée, plano, diária, som diegético, não diegético ou meta diegético… Enfim uma enxurrada de termos que para quem não estuda cinema, pode soar como um grande “blá-blá-blá”.

Então resolvi escrever esse artigo, o “Bê-a-bá” Cinematográfico, onde poderemos explicar um pouco do que estamos falando e exemplificar com aplicações práticas.

Para começar, vamos falar de som diegético e suas variações.

Som Diegético:

Som Diegético é basicamente o som que os personagens que estão na cena podem ouvir, ou seja, sons de carro, multidão, pássados, música tocando ao fundo em um bar, etc… Quando falo personagens estou falando na pessoa fictícia que esta em tela e não do ator.

Exemplo:

Sub-divisão:

Os sons diegéticos ainda podem variar entre síncronos e assíncronos.

• No caso dos Som Diegético Síncrono, estamos falando de um som que é gravado ao mesmo tempo em que a cena ocorre, seria o “som verdadeiro” dela. Ou seja, algo mais “sujo”, que capta todos os ruídos, falas, no momento da gravação.

No caso da dublagem, por exemplo, o som é editado, retira-se a voz dos atores e introduz a voz do dublador, porém trata-se ainda de um som diegético síncrono, pois por definição o som é o que é mostrado no vídeo, ou seja, o dialógo em si não faria parte deste som, e sim o ambiente.

Resumindo: Som Diegético Síncrono é o que o personagem ouve, e é gravado enquanto a cena acontece, sem efeitos.

Exemplo:

• Já o Som Diegético Assíncronos, é o oposto de síncrono, o som é introduzido depois. Quando você vê uma cena onde 2 personagens estão sentados conversando, o set de filmagem esta silêncio, todo o som de garçons, pessoas falando, talheres, etc… são colocados depois.

Resumindo: Som Diegético Assíncrono é o que o personagem ouve, porém na hora da gravação esse som não esta lá, é colocado depois.

Exemplo:

Na gravação:

Não Diegético:

Técnicamente, quando falamos do Som Diegético não pensamos exatamente se ele é síncrono ou assincrono. Trata-se de um som que os personagens estão escutando ou não.

Portanto, quando falamos em sons não-diegéticos estamos nos referindo exatamente ao oposto. São músicas, locuções, trilhas (como a do Indiana Jones ou do Tubarão) que os personagens não podem ouvir, e são inseridas para trazer uma profundidade maior para a cena.

Exemplo:

Nesta cena acima, temos um exemplo de tudo, sons diegéticos e não-diegéticos. Os diegéticos são os sons do escritório, pessoas, ruídos, etc… O personagem teoricamente pode ouvir aquilo. Porém quando é dada a notícia que ele esta contratado, sobe uma trilha não-diegética, o personagem não pode ouvi-la, mas nós como espectadores podemos.

Meta Diegético:

Por último, mas não menos importante, temos o Som Meta Diegético, que se confunde um pouco com o não diegético. Na verdade, o Meta Diegético são sons que vem do imaginário, algo que não é real para o personagem.

De uma certa forma o som meta-diegético mescla um pouco do conceito do diegético e não diegético, isto porque o personagem pode ouvir o som, mas ele acaba aparecendo distorcido ou com efeitos não reais. O som meta diegético aparece muito em flash backs e em sonhos.

Exemplo:

Concluindo…

Basicamente o som, independente de ser diegético, não diegético ou meta diegético, tem a função de dar profundidade a cena, seja para alegria, tristeza, drama ou medo. Ele traz realismo e ao mesmo tempo emoção.

Agora você já sabe um pouco mais sobre o “bê-a-bá” cinematográfico. Dúvidas, sugestões, críticas? Deixe seu comentário aqui e vamos desconstruir ainda mais o mundo da sétima arte.

Gostou? Dê um like e passe adiante!

Leia também:

Apoie o Cinem(ação): contribua com a cultura cinematografica!

  • Críticas cinematográficas
  • Mais de 6 horas de conteúdo inédito por semana
  • Podcasts semanais
  • Grupo no Facebook exclusivo para apoiadores
  • Acompanhamento das nossas conquistas com seu apoio

Abra a porta do armário! Deixe seu comentário:

  • Lucas Albuquerque

    Baita artigo, Rafa…. deixou o tema didático, com exemplos (apesar do spoiler ali no à Procura da Felicidade) e bem fácil de ser entendível para quem não conhece e até torna a leitura válida para quem já conhece.
    O som diegético em geral deixa a coisa mais orgânica e mostra um apuro maior com esse elemento. A trilha do Esquadrão Suicida, muito elogiada por alguns, foi pessimamente encaixada naquele contexto e na própria transição entre as canções.
    Já a trilha de Aquarius é quase toda diegética. E as músicas fazem todo sentido narrativo

  • obg!