Pode divulgar um filme em forma de carta de amor?
Desculpe o Transtorno - filme com Gregório Duvivier e Clarice Falcão - Pode divulgar um filme em forma de carta de amor?

Pode divulgar um filme em forma de carta de amor?

Antes de começar o texto, peço desculpas por tanto tempo sem publicar a coluna “Cinema e algo mais”. Não pretendo criar mais hiatos.

 

Ontem (12 de setembro), foi publicado na Folha de São Paulo um artigo do ator (humorista, roteirista, escritor, etc) Gregório Duvivier, no qual ele presta uma homenagem a sua ex-namorada (esposa?) Clarice Falcão. O casal, famoso por ter feito parte do início do Porta dos Fundos, fenômeno da internet brasileira, viu o relacionamento chegar ao fim sob os holofotes das redes sociais.

Surgiu, então, uma crítica à “carta de amor” que o artista de esquerda escreveu em seu espaço no prestigiado diário paulistano. Seria por usar o relacionamento para divulgar seu novo filme, “Desculpe o Transtorno”, que estreia nesta quinta-feira, dia 15.

Ao que parece, Duvivier apenas utilizou um sentimento sincero como forma de falar sobre o filme, ainda que da forma como foi escrito tinha mais chances de viralizar. Mas pode ter sido de caso pensado. O rapaz é inteligente, sabe o que faz.

Há quem critique os padrões machistas que circundam a situação. Talvez, penso eu, não da parte de Duvivier,  que apenas apresentou sua visão e falou especificamente sobre seus sentimentos, sem fazer qualquer apelo para que ela “volte” – como muitos homens fazem do alto de sua misoginia, acreditando que isso é suficiente para ser aceito novamente, não considerando o sentimento delas. Mas é claro que a sociedade fez exatamente isso com a Clarice Falcão: campanhas do tipo “volta Clarice” e enaltecimentos com a junção dos nomes de ambos desconsideravam completamente os sentimentos e vontades da mulher.

É por isso que existe algo muito pior do que divulgar um filme por meio de um artigo meloso e (pretensamente?) romântico: calar uma separação, considerar apenas uma das partes como fonte de informações, desconsiderar o sentimento de uma pessoa em função da “fofura” da outra.

 

À pergunta do título deste texto, tenho uma resposta:

Pode divulgar um filme em forma de carta de amor?

 

Pode divulgar, sim.  O que não pode (ou não deveria) é torcer pelo relacionamento de pessoas da vida real como se fossem mocinhos da novela. Falta respeito ao sentimento alheio… tanto o dele, que apenas externou seu afeto, quanto especialmente o dela, que sequer se manifestou a respeito.

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