#Especial Cinem(animes): as histórias que gostaríamos de ver nas telonas

#Especial Cinem(animes): as histórias que gostaríamos de ver nas telonas

As adaptações para o cinema de história em quadrinhos definitivamente se consolidaram na indústria cinematográfica. As principais franquias de heróis da Marvel e DC Comics movimentam negócios na casa dos bilhões com bilheteria, séries para o mercado televisivo e produtos autorizados. Com o sucesso dos Vingadores, X-Men, Guardiões da Galáxia e, de outros que já tiveram experiências bem-sucedidas no passado e voltaram com tudo nesse milênio, como Batman e Superman, fica a sugestão para que as grandes produtoras olhem com carinho um mercado parecido: os animes e mangás japoneses.

Com franquias consolidadas em audiência e histórias que misturam artes marciais, ficção científica, mitologia de diversas culturas e uma série de heróis e vilões carismáticos, os animes e mangás podem ser uma nova mina de ouro e apresentar experiências cinematográficas muito interessantes para o público. O xis da questão é encontrar uma forma de universalizar as histórias, mas sem que percam a essência oriental. A experiência com o ridículo ‘‘Dragon Ball Evolution’’ (2009) da Fox mostra que não é um caminho tão fácil.

DEATH-NOTE capa

Cartaz  da adaptação japonesa do anime Death Note

Na Ásia, as adaptações de mangás já são uma realidade em termos financeiros. Recentemente, o live-action do anime Assassination Classroom conseguiu derrotar o blockbuster Batman vs Superman em público nos cinemas do Japão. Muitos mangás e animes famosos, como Samurai X e Death Note, tiveram seus respectivos filmes lançados na Ásia. Mas sem o devido cuidado em adaptação, as películas parecem mais uma espécie de peça de teatro filmada. Acreditamos que as adaptações de animes e mangás podem muito mais em termos de público, ir além de um fenômeno asiático, e experiência cinematográfica.

Nossos colaboradores Allison Almeida e Anderson Rosa, fãs de animes, aceitaram o desafio de ser produtores imaginários responsáveis por selecionar alguns clássicos japoneses para adaptações de grande impacto. Nessa seleção tem Tarantino produzindo filmes de samurais, as irmãs Wachowsky se aventurando numa pérola CyberPunk, os estúdios Marvel cuidando das histórias do Goku, entre outras deliciosas viagens. Confira aí no que deu essa sopa ‘‘otaku-nerd’’ cinematográfica do Cinem(ação).

Divirta-se




#1 Samurai X

Original escrito por: Nobuhiro Watsuki

Direção sugerida: Quentin Tarantino

Samurai X capa 2

“… a carinha do Tarantino”

A história do ronin Kenshin Imura e suas ricas referências a história japonesa medieval, violência gráfica, relações mal resolvidas, traições e batalhas de espadas, tem todos os elementos para o tio Quentin Tarantino brincar de fazer cinema. Publicado de 1994 a 1999, a saga virou um dos animes mais populares no ocidente. Seu enredo narra as aventuras de um guerreiro samurai arrependido do passado de assassino de aluguel. A redenção de Kenshin se dá através de um encontro inevitável com seu passado.

Kenshin tem uma personalidade esquizoide, solitária, meio sanguinária, paradoxalmente cômica e, em certos aspectos, lembra a noiva Beatrix Kiddo, protagonista de Kill Bill. Seria demais ver o Taranta trabalhando nessa história com muitos exageros tarantinescos, citações históricas, trilhas sonoras frenéticas e homenagens ao cinema oriental.

Samurai X/diretor




#2 GenoCyber

Original escrito por: Toni Takezaki

Direção sugerida: Lars Von Trier

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Tem muito anime nessa violência!”

Não leitor, você não leu essa frase errado… essa é a melhor sentença para definir o polêmico GenoCyber. Lançado originalmente em 1993 no mercado editorial e transformado em 5 episódios em animações de curta duração em 1994, o desenho acendeu no Japão o debate sobre os limites da violência em animações. GenoCyber causou muita controvérsia, pois seu conteúdo mostra, entre coisas, crianças sofrendo e sendo mortalmente feridas e muitos personagens brutalmente desmembrados e estripados de uma forma um tanto quanto sádica.

Misturando ficção científica, elementos sobrenaturais e muito horror, GenoCyber é uma história totalmente soturna sobre a criação de uma arma biológica ativada pelos poderes paranormais de duas irmãs gêmeas deficientes físicas. Uma das gêmeas sofre um terrível trauma e então GenoCyber é ativado, iniciando uma matança capaz de destruir o mundo. Visualizamos GenoCyber nas mãos do contestador diretor dinamarquês  Lars Von Trier… e logo vimos uma experiência imagética perturbadora, controversa, repleta de discussões filosóficas, dramatizações pujantes e um humor perverso.

GenoCyber/Diretor




#3 Universo Dragon Ball (Sagas DB e DBZ)

Original escrito por: Akira Toryiama

Direção sugerida: Anthony Russo e Joseph V. Russo

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Ei Fox, fique longe desse filme!”

De todas as séries de animações japonesas, a que mais penetrou no universo pop ocidental é, sem dúvidas, Dragon Ball. Mais de 300 milhões de exemplares vendidos de Mangás em todo o mundo e um anime exibido em mais de 150 países mostram a popularidade desse verdadeiro fenômeno de público. Inspirado no romance mitológico chinês ‘‘Jornada ao Oeste’escrito no século XVI, Dragon Ball conta as aventuras de Goku, um menino órfão com rabo de macaco, que vai treinar artes marciais com um “peculiar” professor, o mestre Kame.

Dragon Ball já foi adaptado anteriormente, mas, em nome de todas as esferas do dragão, esqueçam aquele filme de 2009! Dragon Ball é uma série longa, que daria uns sete ou oito bons filmes tranquilamente. Para um eventual sucesso da saga nos cinemas é essencial começar o projeto com um ator mirim que amadureça junto a história. O Ideal para Dragon Ball seria ser concebido de forma parecida a saga Harry Potter, apresentada brilhantemente pela Warner, na década passada. A cada filme seriam exibidos novas revelações e personagens sem atropelar o enredo.

Dragon Ball/Diretor

Dragon Ball tem um mix de ação, aventura e comédia marcantes e, por essas características, seria curioso ver os estúdios Marvel trabalhando na adaptação. Os competentes irmãos Russo, responsáveis atualmente pelos filmes do Capitão América, iniciariam o novo projeto Dragon Ball nos cinemas, com a função de resgatar a história de Goku ultrajada anteriormente pela Fox




#4 Akira

Original escrito por: Katsuhiro Otomo

Direção sugerida: Lilly e Lana Wachowski

Direção dos Sonhos: Stanley Kubrick

Akira/capa

Candidatíssimo ao posto de obra-prima”

Não seria nenhum exagero dizer que Akira está para a história dos mangás do mesmo jeito que Pelé está para o futebol ou Mozart para música clássica… os Beatles para o Rock. Essa revolucionária obra, lançada na década de 80, transcendeu os limites dos quadrinhos e se estabeleceu perante a crítica como uma das expressões máximas do movimento CyberPunk. Em 1988, Akira foi transformado numa competente animação de longa-metragem, dirigida e supervisionada pelo próprio criador do texto, o escritor Katsuhiro Otomo. A animação até hoje é elogiada pelo visual, trilha sonora e flerte com o surrealismo.

Curiosamente, (quase uma premonição, eu diria) Akira acontece em 2019, quando o Japão se prepara para receber uma edição dos Jogos Olímpicos. Antes da finalização do estádio olímpico, uma misteriosa criança com poderes psicocinéticos, fugitiva do programa de investigação secreta do governo japonês, cruza o caminho de uma gangue de adolescentes motoqueiros. Após o encontro, um dos integrantes do grupo começa a manifestar uma estranha força além dos limites compreensíveis. Esse poder peculiar é similar ao de Akira, uma entidade que destruiu Tóquio 30 anos antes.

Akira/Diretor

Repleto de críticas ao mau uso da ciência e uma estética futurista e, ao mesmo tempo, desalentadora, Akira constantemente é especulado para uma adaptação cinematográfica. Por conta da bem-sucedida experiência em V de Vingança (uma competente adaptação da HQ de Alan Moore) e Matrix (uma trilogia de ficção cientifica brilhante fortemente influenciada pelo romance Neuromancer, outro clássico do CiberPunk), as Irmãs Wachowsky seriam a escolha natural para o comando. Porém, o ideal mesmo era reunirmos as esferas do dragão e ressuscitarmos Stanley Kubrick. O velho Stan transformaria a adaptação de Akira em algo transcendental como ‘2001, uma Odisseia no Espaço’.




#5 Death Note

Original escrito por: Tsugumi Ohba

Direção sugerida: Robert Eggers

Death Note/Capa

sob encomenda, um enredo para um empolgante novo diretor”

A história do caderno mais sinistro do Japão é uma das apostas mais seguras para uma adaptação exitosa. Você que curte um bom suspense precisa conhecer urgentemente Death Note, uma das mais criativas animações já produzidas neste milênio. Em Death Note, um promissor estudante secundarista japonês, Yagami Raito, encontra um misterioso caderno negro, que tem o poder de tirar a vida de pessoas cujo os nomes forem escritos em suas páginas.

Com a autoridade para decidir o destino de vidas, Raito resolve brincar de Deus e eliminar todos os bandidos para assim construir uma nova Terra. Um policial resolve investigar o motivo da morte prematura de tantos delinquentes e o resultado é um embate que envolve inteligentíssimas discussões filosóficas e psicológicas.

Death Note/ Diretor

O diretor Robert Eggers deixou uma belíssima impressão, em sua estreia, com o longa “A Bruxa”, que apresenta uma narrativa de um extremo e competente suspense psicológico e uma fotografia surpreendente. Seria interessante ver o que o promissor diretor americano faria com um dos mais inteligentes enredos de animes. Uma verdadeira prova de fogo para Eggers.




#6 Evangelion

Original escrito por: Yoshiyuki Sadamoto

Direção sugerida: J. J. Abrams

Evangelion

Só não vale transformar em Power Rangers, Abrams!”

Clássico do gênero Mecha, um estilo tradicional de anime ou mangá que envolve robôs gigantes em batalhas, Evangelion tem todos os elementos para se tornar um grande Blockbuster. Combinando elementos religiosos do xintoísmo, cabala, judaísmo e cristianismo com uma ação desenfreada, Evangelion narra um futuro pós-apocalíptico onde seres misteriosos, conhecidos como anjos, confrontam a humanidade. O adolescente japonês Shinji Ikari é recrutado por uma sombria organização paramilitar, a NERV, para pilotar uma unidade robótica biomecânica e lutar contra os anjos. No esteio de muitos embates empolgantes, Evangelion é uma belíssima crítica social, que nos cinemas, ao nosso ver, ficaria muito bem nas mãos competentes de J. J. Abrams.

Evangelion Diretor

Conhecido pelos seus filmes arrasa-quarteirão como Armageddon (1998) e Missão Impossível III (2006), e por boas incursões em gigantes ícones Sci, como Star Wars e Star Trek, Abrams tem potencial para transformar Evangelion numa das principais bilheteiras do ano.




#7 Cavaleiros do Zodíaco

Original escrito por: Masami Kurumada

Direção sugerida: Louis Leterrier

Ikki de Fenix

Morra, Seiya!”

Sim, nós fomos crianças nos anos 90 e por isso, temos um sentimento especial pelos Cavaleiros do Zodíaco. Ah, a saudosa TV Manchete e os bons tempos em que não tínhamos contas para pagar e nossa maior preocupação era torcer para o Ikki de Fênix não falar que ia mandar alguém para o quinto dos infernos… (quando nossas avós ou mães estivessem na sala.) Brincadeiras a parte, Cavaleiros do Zodíaco marcou demais com uma história que envolvia artes marciais e mitologia grega. No Brasil, CDZ foi a porta de entrada para o mercado de animes e mangás e até hoje coleciona uma legião fanática de fãs.

Na nossa louca viagem cinematográfica, o projeto de adaptação de Cavaleiros do Zodíaco seria entregue a um apaixonado pelo anime: o diretor Louis Leterrier. Leitor de HQs e mangás, o francês fez da história de Kurumada a principal inspiração para o remake do épico Fúria de Titãs (2010). Leterrier também esteve a frente da adaptação ‘O Incrível Hulk’ (2008), que foi um fracasso retumbante em bilheteria, apesar de o filme ser interessante.

Cdz/Diretor

Sem dúvida, Cavaleiros do Zodíaco com Leterrier no comando é a aposta mais arriscada de todas as apresentadas, (…tá com uma carinha de furada épica!) mas se estamos no fronte de batalha… é para receber Meteoros de Pegasus e viver perigosamente.




#8 Yu Yu Hakusho

Original escrito por: Yoshihiro Togashi

Direção sugerida: Tim Miller

Yu.Yu.Hakusho

¯\_()_/¯ (+18) ; )!!!

Também conhecido como Ghost Files, nome em que foi batizado nos Estados Unidos, mercado editorial que fez bastante sucesso, Yu Yu Hakusho é uma história construída com personagens inusitados e veias bem cômicas. O protagonista Yusuke Urameshi é um jovem problemático que salva uma criança de um atropelamento e acaba morrendo. Ao chegar no outro mundo, Yusuke ganha uma nova chance de voltar a vida, graças a surpreendente atitude de se sacrificar por outra pessoa. O jovem japonês então ressuscita com a responsabilidade de ser um detetive espiritual, um guardião com o dever de proteger a terra de seres malignos.

Outro anime clássico exibido na Manchete nos anos 90, Yu Yu Hakusho é a garantia de boas risadas e muita ação com um grupo de heróis não convencionais. Uma boa pedida para uma adaptação do anime é a presença de Tim Miller na direção. Especialista em efeitos especiais, Miller provou em Deadpool, que é possível fazer uma boa trama recheada de comédia sem soar pretensioso, bonachão, caricato ou pastelão. Tirem as crianças da Sala: o Yusuke de Miller seria certamente (+18)… para nossa alegria!!!

Yu Yu/Diretor

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