Crítica: Agnus Dei (2016)

Crítica: Agnus Dei (2016)

Ficha técnica – Agnus Dei (Les Innocentes) (2016)

Direção: Anne Fontaine

Roteiro: Anne Fontaine

Elenco: Lou de Laâge (Mathilde), Vincent Macaigne, Agata Buzek

Nacionalidade e lançamento: França, Polônia

Sinopse: Um enfermeira francesa que ajuda freiras moradoras de um convento da Polônia que foram estupradas por soldados invasores durante a Segunda Guerra Mundial.

agnus-dei2

Vamos lá. Agnus Dei (Les Innocentes) é um filme feminista (alô alô graças a Deus). Estamos cada vez mais entendendo o porquê do feminismo se fazer presente no mundo cinematográfico. Faz parte do momento que vivemos na sociedade. Quem ainda torce o nariz e fala “feminazi”, ou que acha que isso é só um movimento para queimar o sutiã, é porque ainda não entendeu sobre o que eu estou falando**.

Imagine só: pós-guerra (2a Guerra Mundial) e uma freira polonesa cruza um longo caminho a pé para pedir ajuda à uma enfermeira francesa da Cruz Vermelha. Motivo? As freiras de um convento da Polônia foram abusadas por soldados russos e a maioria delas está grávida. Mathilde, a enfermeira badass vai lá, quebra regras e tabus para ajudar as gestantes (afinal de contas, ela só poderia ajudar franceses). Mas ela é tão porreta que mora sozinha, trabalha, (usa calças! era o começo dessa “liberdade”) e tem um relacionamento totalmente livre – corpo dela, regras dela.

agnus-dei-cinemacao2

Por que assistir?

Fiquei bem comovida porque tocaram em um assunto tão pesado (estupro) de maneira objetiva. Não tem romantização. É aquilo ali mesmo. É triste, é desesperador. É uma outra visão que merece ser entendida. Se você é homem, talvez não se identifique tanto com a dor das meninas. Porém, talvez se conecte pelo poder que um homem pode exercer na vida de uma mulher – um poder totalmente nojento, problemático e doentio.

Assim como o roteiro, a parte técnica é tão bem trabalhada exatamente para dar toda essa visão sombria. Na fotografia e direção de arte encontramos cores frias, cenários que passam a rigidez e a fraqueza que a época pós-guerra trazia. A diretora (yes, uma mulher) não é nada menos do que Anne Fontaine. Agnus Dei foi tão bem comentado que virou um dos grandes destaques do Festival Varilux de Cinema 2016.

Mesmo assim, mesmo trazendo um tema delicado, de forma tão ousada, o filme consegue ser lindo e facilmente digerido. Não desgrudei da tela por um só momento, porque é o tipo de longa que prende, mesmo não tendo muitos picos de emoção. Mas eles se fazem presentes e mostram a força da mulher.

**(tá, se você realmente quiser saber mais sobre – e talvez até descubra que é a favor/se identifica – pode me procurar nas redes sociais).

Gostou? Dê um like e passe adiante!

Leia também:

Apoie o Cinem(ação): contribua com a cultura cinematografica!

  • Críticas cinematográficas
  • Mais de 6 horas de conteúdo inédito por semana
  • Podcasts semanais
  • Grupo no Facebook exclusivo para apoiadores
  • Acompanhamento das nossas conquistas com seu apoio

Abra a porta do armário! Deixe seu comentário:

  • Daniel Lemos Cury

    acabei d ver na netflix…
    o filme é bonito, super centrado. achei demais o uso da trilha sonora só em alguns momentos, e por mostrar um silêncio aterrador na vida daquelas religiosas – um silêncio não apenas óbvio, mas tbm relacionado ao silêncio social no qual elas vivem.
    É claro que as mulheres devem se identificar muito mais, mas acredito que a cena da médica sendo oprimida pelos soldados russos na estrada (sem spoilers! rs) mostra bem esse constante medo das mulheres.
    Filme necessário… e que ainda fala sobre a fé cega.
    Se fosse dirigido por um homem, jamais teria essa visão e a sutileza que a Anne Fontaine dá a ele.