“Easy Rider” – (1969)

“Easy Rider” – (1969)

O deserto grita ao redor do pó branco vendido debaixo do vento ensurdecedor dos aviões que descem com rapidez na terra plana de asfalto. Tais motores ambientam o frescor e o sabor daquele produto autêntico, forte e viciante, e logo em seguida, ao som puro de The Pusher – Steppenwolf  – no qual o baixo marca o tempo sinuoso da estrada vazia, só a caminhote velha consegue delinear o destino que os dois aventureiros terão pela frente. É tão forte o poder dessa música que é de arrepiar os pelos do corpo quando a guitarra distorcida e a voz rasgada de John Kay começam a solar suas notas pintando a motocicleta prata com a tinta cheia de cores retratando a bandeira dos Estados Unidos da América.

Por conseguinte, Born to be wild dilacera o que vem pela frente, preenche o que não tem sentido, carrega vontade, tesão e poder nas mãos firmes nos guidões carregados de velocidade. De um local ermo, abandonado, à civilização aparece, contudo, é o fogo no meio do mato que aquece os viajantes para o descanso de ambos naquela noite. O country-style que Easy Rider nos traz é tão sutil e ao mesmo tempo descarado, que na verdade não o percebemos logo de cara e pelo contrário, vamos sentindo seu ardor durante o clima suave que a narrativa nos proporciona.

Neve nos penhascos e deserto nos rochedos mais perto da estrada: a fotografia que permeia todo o filme tanto nos acalma quanto nos dá uma sensação de bem estar e calmaria. Não perdemos o fio condutor do enredo, e sim, aproximamos o visto do ainda não visto, daquilo que buscamos em prol de entender a história ali contada.

“I never wanted to be anybody else”

A sensação de liberdade sempre foi buscada como um ideal pelo norte americanos, todavia, quando confrontada diretamente, e principalmente vista de fato na pele de “revolucionários” de mente aberta, os quais ao redor de um rio de água corrente e de um deserto, vivem aquilo que todos dispunham em buscar, o medo de sentir aquilo tudo e de se modificar como pessoa boqueia os alcances pessoais que poderiam ser possíveis se não houvesse tamanho preconceito. Qual o sentido da vida? A película de Dennis Hopper discute esse embaraço contido, só que real, que boa parte dos norte americanos costumavam reprimir por si sós diante da sociedade. Quando há um encontro com a tal liberdade tanto procurada, a aflição, o desespero e o massacre social acontecem, e ao invés de aceitar-se como quem pertence ou pode pertencer à aquela realidade, pelo contrário, há o afastamento e a manutenção do status-quo que intacto, em gradual estado de vida, distorce o sonho que poderia ser vivido.

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