Crítica: Cantando de Galo

Crítica: Cantando de Galo

Cantando de Galo é um dos piores filmes do ano e uma das mais fracas animações que eu vi.

Ficha técnica:

Direção e roteiro: Gabriel Riva Palacio Alatriste
Vozes: Bruno Bichir, Angélica Vale, Maite Perroni, Carlos Espejel
Nacionalidade e lançamento: México, 2015 (11 de agosto de 2016 no Brasil).

Sinopse: para salvar uma fazenda à beira da falência, um grupo de galos participa de uma rinha entre eles apostando o local, mas terá que contar com uma ajuda de um herói improvável.

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Há filmes ruins de diversas naturezas. Aqueles com uma concepção já errada, como Doonby: todos tem o direito de viver, outros com um roteiro vazio tal qual Esquadrão Suicida e comedias que não são engraçadas como Porta dos Fundos: contrato vitalício (eu selecionei aqui os três piores do ano na minha concepção). Cantando de Galo consegue ser tudo isso. Mesmo considerando a questão cultural, fica torto uma animação infantil exaltando a rinha como elemento positivo. A trama é clichê, os arcos dos personagens são insossos e os diálogos são PÉSSIMOS. E em todo filme eu ri uma única vez – em uma referência ao Karatê Kid, que já está no trailer.

O filme é para crianças? Totalmente, diria que para de menos de 10 anos. Ainda assim não justifica. Mas a questão do público-alvo é complicada aqui, pois o tempo inteiro há referências a filmes da cultura pop, como Star Wars, Rocky, Poderoso Chefão. Além de ser uma bagagem que as crianças não tem, essas “homenagens” aparecem na trama para suprir um vazio narrativo e vem de forma extremamente forçada, a do Poderoso Chefão em especial é uma das piores referências que eu já vi. Ainda na questão da idade, há uma piada questionável sobre um ovo cabeludo, além é claro do problema do tema central.

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A história começa acelerada e além de previsível é genérica. O problema mais grave, no entanto, é o como foi contada. As cenas mal feitas – quase que na totalidade – e o alto índice de exposição, reexplicando o óbvio, torna um martírio para os adultos e até para algumas crianças.

A animação em si possui alguns gráficos interessantes, porém em outros o desnível fica evidente. Portanto, mesmo em algo que possa arrancar algum elogio, vemos um certo descaso. Imagens da água estão entre as visualmente elogiáveis. O mesmo não pode se dizer da movimentação dos personagens e de algumas cenas ao fundo. Algo que não concerne diretamente ao filme, mas que não pode ser ignorado, é a dublagem brasileira. Além das vozes não estarem naturais, o texto apresenta soluções bem duvidosas. Muitas frases parecem deslocadas, culpa talvez de uma má tradução.

Outro ponto que vale o destaque negativo em Cantando de Galo é a montagem. Diversas cenas carregam em uma desnecessidade dolorosa. A coesão entre elas também é problemática. O que nos leva a mais um ponto: excesso de subtramas, umas 10, todas superficiais. Neste caso é um combo de deslizes da direção, do roteiro e da já citada montagem.

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Como se não bastasse o roteiro previsível e genérico, há uma sensação de “familiaridade” em duas cenas. Há personagens que lembram demais o Scrat da franquia Era do Gelo e a utilização da música What A Wonderful World junto com uma câmera lenta – algo que vimos em Procurando Dory. Pode ser coincidência? Claro… Mas perde-se a força da mesma maneira.

Uma animação mexicana poderia trazer elementos culturais interessantes. Ovos/galos falantes e quase super heróis dava uma premissa com algum potencial. E até mesmo um tema como rinha de galo, quem sabe, usado de maneira que coubesse para um público infantil (eu não sei qual, mas vá lá…). Todavia, Cantado de Galo só deixa uma pergunta: por que se interessaram em lançar isso no brasil? Já que lançaram concorre com força para o título de pior filme do ano…

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