Crítica: As Ovelhas Não Perdem o Trem (2014)

Crítica: As Ovelhas Não Perdem o Trem (2014)

As Ovelhas Não Perdem o Trem ganhará o prêmio de melhor título do ano….

Ficha técnica:
Direção e roteiro: Álvaro Fernández Armero
Elenco: Raúl Arévalo,  Inma Cuesta,  Candela Peña,  Irene Escolar, Alberto San Juan e Jorge Bosch
Nacionalidade e lançamento: Espanha, 2014 (no Brasil exibido no Festival de Cinema Europeu, 2016).

Sinopse: vários casais em histórias que mesclam amor, sexo, família, perda, mentira e felicidade. Cada qual com conceitos diferentes sobre os assuntos e uma visão peculiar da vida.

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Comédia romântica é um dos gêneros menos queridos pelos críticos. De fato há uma abundâncias de longas genéricos que utilizam as mesmas fórmulas e trazem elementos clichês para compor os personagens. Por vezes com uma comédia fraca e um romance sem química.

Confesso que nunca tinha visto uma comédia romântica espanhola. Talvez por isso As Ovelhas Não Perdem o Trem me agradou mais que outros longas do gênero. E ele tem um baita mérito: é muito engraçado e usa um humor que não é tão simples de fazer funcionar.

Não se perca nos nomes: Alberto é casado com Luisa – e eles têm um filho, Lucas. Juan, irmão de Alberto, namora com Natalia. Sara, irmã de Luisa, tenta ter um relacionamento com Paco. O pai de Alberto e Juan está com Alzheimer. Marisa, mãe de Luisa e Sara, acabou de se separar do marido.

A história gira em torno de todos esses personagens. Com mais ou menos profundidade, cada qual é marcante por diferentes motivos. Notadamente Alberto e Luisa formam o casal principal. Eles se mudam para uma área rural para que ele possa ter mais tranquilidade para escrever um livro.

As Ovelhas Não Perdem o Trem

Ele escreveu um de relativo sucesso há 12 anos, desde então não produz nada. Luisa é estilista e dá aula sobre o assunto na nova comunidade. Enquanto ele tenta gerar uma nova obra, ela quer gerar um segundo filho. Ambos parecem fracassar nas respectivas empreitadas – de certo modo por culpa de Alberto.

Juan tem duas filhas com ex-esposa e por vezes tem que a encontrá-la para pegas as crianças. Encontros não muito confortáveis e devidamente “narrados” por Natalia, em momentos hilários. Sara é a típica solteirona que quando encontra um alvo o bombardeia com mensagens e ligações.

As situações cotidianas são exploradas quase chegando no absurdo. As piadas são muito bem construídas. Predominantemente a força delas estão nos diálogos. As desventuras vividas pelos personagens e o modo como eles encaram o mundo e o fracasso de cada um, lembra um meio termo entre Seinfeld e Friends aguardo pedradas pela comparação em 3..2...

Nos momentos que envereda para o drama As Ovelhas Não Perdem o Trem perde força de modo considerável. A história envolvendo o pai tem duas cenas boas, mas seria descarável da trama. Na realidade eles meio que se livram desse arco sem muitas explicações…

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Voltando ao humor, temos um foco em piadas de cunho sexual. Os momentos visuais neste sentido não são tão bons. Como falei, quando texto aparece o resultado é mais positivo. Praticamente todos os personagens passam por situações envolvendo esse tema. De fato é uma temática “fácil” e há um certo clichê, mas inegavelmente fazem rir.

O ritmo é bem acelerado, por vezes passando um pouco do tom. Não há muitas barrigas e a história flui bem. A fotografia não é nada brilhante, mas superior aos “colegas” do gênero. Já a trilha força um pouco, mas não chega a incomodar.

Raúl Arévalo (Alberto) é o que tem a melhor atuação e o que mais possui material para trabalhar. O par dele, Inma Cuesta, também convence, mas sem tanto brilho. Candela Peña, que faz a irmã de Luisa, tem momentos muito bons, porém a personagem é um tanto monotônica. Jorge Bosch (Paco) já fez muitos trabalhos para a televisão espanhola e é outro com grande destaque: imprime um humor sem forçar. Alberto San Juan, que faz Juan, carrega demais em algumas expressões. O resultado é inconstante: hora funciona e em outros só são cacoetes não muito bem-vindos.

O inusitado título, As Ovelhas Não Perdem o Trem, é justificado por um diálogo entre os irmãos Alberto e Juan e pelo andamento da história, principalmente envolvendo Alberto. Ainda assim, apesar de bem bolado faltou um pouco mais aprofundamento nesse sentido.

Quer uma comédia uns degraus superiores ao que vemos costumeiramente em circuito comercial? Gosta de diálogos rápidos e sagazes? Boas risadas em um filme que até ensaia uma ou outra reflexão? Então não perca a exibição dele no Festival de Cinema Europeu nos dias e locais a seguir:

Aracaju 15/05
Goiânia 20/05
Florianópolis 28/05
Belém 04/06
Belo Horizonte 11/06
Curitiba 16/6
Manaus 22/06
Vitória 26/6
 
Mais informações no site da 12º Semana da Europa

 

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