Crítica: Angry Birds – O Filme (2016)

Crítica: Angry Birds – O Filme (2016)

Angry Birds – O Filme mescla bem o lado infantil com o público do jogo e resulta em uma boa adaptação.

Ficha técnica:
Direção: Clay Kaytis e Fergal Reilly
Roteiro: Jon Vitti
Elenco (vozes originais): Peter Dinklage, Jason Sudeikis, Danny McBride,  Josh Gad
Elenco (vozes brasileiras): Marcelo Adnet, Dani Calabresa, Fabio Porchat, Pathy dos Reis
Nacionalidade e lançamento: Estados Unidos e Finlândia, 2016 (12 de maio de 2016 no Brasil)

Sinopse: Red é um esquentadinho pássaro que tem que passar pela reabilitação para se acalmar. Junto com uma improvável trupe ele investiga um grupo de porcos que chega à ilha dos pássaros.

Angry Birds

Em 2009 foi o inicio da saga para a franquia de jogos Angry Birds. Em pouco tempo teve um sucesso absoluto (mais de um bilhão de cópias) e uma das perdas de tempo mais viciantes da era mobile. Angry Birds pode ser chamado de PacMan (Come Come) ou Paciência desta geração.

Um filme poderia ser só um caça-níquel e se aproveitar, um pouco tardiamente é verdade, do sucesso alcançado por aqueles pássaros dos infernos divertidos… Recentemente tivemos Heróis da Galáxia: Ratchet e Clank que vai nesse sentido e tem poucos méritos cinematográficos… Angry Birds possui um propósito parecido, mas, ao contrário daquele, realiza uma obra de modo digno e que faz valer o ingresso.

A primeira cena mostra o Red, protagonista do longa, correndo de forma atabalhoada e a dinâmica em tela revela uma toada veloz, com cortes rápidos e muito apelo visual. Ou seja, logo no começo já vemos a que o filme vem: uma mescla bem sucedida de comédia e ação.

Vemos o Red já ficando vermelho de raiva após um incidente com uns clientes. Logo há uma apresentação do personagem, com várias cenas dele. Entendemos como funciona as relações com os demais e os motivos dos acessos de raiva. Esse ponto foi bem trabalhado, pois poderia se perder tempo com longas explicações. Cumpre-se a máxima do cinema de show, don’t tell (mostrar e não falar). Esse fator torna-se ainda mais importante tendo em vista que boa parte do público é infantil.

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Há uma certa inconsistência na força da trama. Há, como falei, uma boa apresentação, o desenvolvimento pesa um pouco no andamento e fica um pouco repetitivo. Já o final é uma ode aos fãs dos jogos. E nessa parte eles cumprem muito bem a homenagem e o mais importante: funciona na telona como expressão cinematográfica.

Os cenários são coloridos e claros (mesmo com o 3D, normalmente a tecnologia escurece a tela, não é o caso aqui). Os personagens estão bem desenhados e cada um com uma característica própria. Mesmo tendo um ritmo mais acelerado o longa não cansa os olhos, às vezes a ação fica um pouco confusa em tela, com muitos elementos, mas não atrapalha o todo.

A história tem alguns elementos meio óbvios e que atendem o público infantil. Por outro lado há momentos que o humor praticamente se restringe aos adultos. Há, por exemplo, uma breve referência a um filme clássico e um de herói. O Iluminado, de Stanley Kubrick, com a cena das gêmeas e X-Men Dias de um Futuro Esquecido, aquela já marcante cena do Mercúrio.

É interessante como a raiva de Red é “justificada”. Existem momentos que deixariam qualquer um com daquele jeito. Ainda assim ele é visto como o “diferentão” e à margem daquela sociedade. Os demais personagens não tem camadas profundas, nem o Red tem aliás, porém cumprem muito bem um papel marcante na trama. E as pequenas transformações no comportamento deles vem no tom certo. O carisma garante o bom espetáculo.

Angry

As piadas vão desde a mais física, com tombos e pancadas, passando pela escatologia – em uma desse tipo gargalhei – e indo até críticas ao modelo de vida zen e à autoridade jurídica. Tenho minhas dúvidas sobre como o público mais novo vai receber o longa. Visualmente é feito para eles. Mas alguns subtextos são melhor apreciados pelos mais velhos. Essa falta de identidade pode ser vista como um problema para alguns. Eu encaro com naturalidade. Filmes como No Mundo da Lua, onde só tinha elementos infantis, tornam-se um martírio para os pais que tem que acompanhar os pequenos.

Imagino que não terão cópias legendadas no Brasil. A dublagem brasileira não está espetacular, mas não atrapalha. Destaco Fábio Porchat. Ele dá voz ao personagem Chuck. Inegavelmente o pássaro em questão tem uma personalidade muito parecida com a do comediante. Mas Porchat não se esforçou para criar uma voz nova, chega a ser um pouco incômodo quando ele fala, pois a presença dele fica maior que o personagem. Marcelo Adnet como Red imprime uma voz “padrão” de desenhos. Não será marcante e tampouco prejudica.

A trilha sonora é um elemento a ser destacado, o tom geral é rock/pop. Novamente, os adultos irão aproveitar mais, já que as canções não foram traduzidas. Behind Blue Eyes é o tema do Red. E é incrível como ela se encaixa na personalidade dele. Além disso temos a Demi Lovato com uma versão de I Will Survive. Essas e outras canções foram organizadas pelo brasileiro Heitor Pereira

Será que este ano será de fato a vez dos Games nas telonas? Os carros-chefes são Warcraft e Assassin’s Creed, mas Angry Birds fez um papel digno. O filme não é brilhante como Zootopia ou Divertida Mente. Ou ainda profundo como Anomalisa. Todavia para o que se propõe, Angry Birds não faz feio, pelo contrário… Vá e terá boas chances de não passar raiva…

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