Três filmes, três processos de amadurecimento

Três filmes, três processos de amadurecimento

Uma análise de três filmes sobre amadurecimento: Hoje eu Quero Voltar Sozinho, Copenhagen e Enquanto Somos Jovens

 

*Quando criei a coluna “Cinema e algo mais”, pretendia escrever com mais frequência. Queria deixar algo mais pessoal nestas páginas eletrônicas. Mas acho que deixei passar. Talvez eu não estivesse em um momento no qual escrever fosse preponderante. Escritor (ou quem gosta de escrever, já que não publiquei um livro e talvez não possa carregar este título) tem dessas coisas.

 

Eis que, em um ensolarado domingo de outono – com temperatura de inverno – tive o prazer de assistir a diversos filmes que, mesmo diferentes entre si, carregam uma temática semelhante: a do amadurecimento.

Sei que tratamos do assunto recentemente no podcast “Amadurecendo com(o) os personagens“, mas este é um tema que ainda me fascina. Talvez porque eu finalmente me dei conta, em minha vida, dos momentos de amadurecimento que vivi – e vivo, e viverei – e o quanto eles são importantes.

 

O cinema nos ajuda:

Na arte podemos encontrar formas de amadurecer, porque ela nos permite analisar nossas vidas de um outro ponto de vida, ou pensar nas vidas dos personagens como suportes para a realidade.

Dentre os filmes que vi com esta temática, estão: “Hoje eu quero voltar sozinho”, “Copenhagen” e “Enquanto Somos Jovens”.

Enquanto o filme brasileiro é, de longe, a melhor obra cinematográfica da lista, “Copenhagen” foi o aquele com o qual mais me identifiquei – e uma grata surpresa presente no catálogo da Netflix.

 

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Mas vamos por partes:

“Hoje eu quero voltar sozinho” já teve seu destaque no Brasil em seu período de lançamento, e o motivo é um só: é um filme muito bom. Há que acredite que ele trata da homossexualidade dos personagens, mas na verdade ele é sobre amadurecimento. O fato de o protagonista se apaixonar por alguém do mesmo sexo é mero detalhe, já que o longa não trata de preconceito da sociedade, aceitação, ou qualquer outro espectro presente em filmes como “O Segredo de Brokeback Mountain”, por exemplo.

Sutil e delicado, o filme segue os desafios enfrentados por Leonardo, que além dos típicos problemas adolescentes, é cego.

Dentre tantas boas características do filme, vale citar a belíssima cena na qual Leonardo conversa com o pai enquanto faz a barba. Tocante, o diálogo mostra como é preciso enfrentar os problemas. Pontos para o ator Eucir de Souza. A partir de então, vemos que ele não foge dos problemas, e aos poucos vai galgando seus passos rumo à felicidade adolescente.

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“Copenhagen” conta a história de um americano de 28 anos que ainda não amadureceu direito – a ponto de fazer a típica “mordida de tubarão” toda vez que tem seus sentimentos aflorados ou confrontados – e está em uma viagem à capital dinamarquesa para encontrar seu avô. Apesar das falhas, o filme tem méritos importantes: consegue falar sobre a relação entre pais e filhos, mostra um romance sensível e cuidadoso com uma garota de 14 anos, e mostra cenários de Copenhagen que deixam os viajantes sedentos por conhecer o local.

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“Enquanto Somos Jovens” é estrelado por Ben Stiller e Naomi Watts, e conta a história de um casal que passou dos 40 anos, mas por optar não ter filhos, parece não  “amadurecer” como  os amigos da mesma idade, e acabam conhecendo um casal muito mais jovem, que os leva a fazer algumas coisas “típicas dos jovens”. Ainda que pudesse ser um filme mais divertido se não falasse tanto sobre documentários, ou se tivesse personagens um pouco mais interessantes (O personagem de Adam Driver é mais “mala” que o vilão Kylo Ren), “Enquanto Somos Jovens” é praticamente um filme “coming of age” acima dos 40, o que por si só já merece aplausos.

 

Acredito que é possível para qualquer pessoa se conectar com filmes que demonstram o amadurecimento de personagens. Todos nós passamos por processos semelhantes. Ainda assim, é preciso ter empatia por outras histórias e outros ambientes para poder se apropriar do aprendizado.

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  • Caio Jacques de Oliveira

    “Há que acredite que ele trata da homossexualidade dos personagens, mas na verdade ele é sobre amadurecimento. O fato de o protagonista se apaixonar por alguém do mesmo sexo é mero detalhe, já que o longa não trata de preconceito da sociedade, aceitação, ou qualquer outro espectro presente em filmes como ‘O Segredo de Brokeback Mountain’, por exemplo.”

    Talvez porque Daniel Ribeiro quis mostrar que a vida de gay é igual a qualquer outra vida, com o mesmo tipo de problema. Vida de gay não é só sobre aceitação, preconceito, etc. É um filme de amadurecimento de um jovem que é cego e gay. Não tire essas características dele, é desonesto.