"Victoria" - (2015) - Cinem(ação): filmes, podcasts, críticas e tudo sobre cinema
Artigo

“Victoria” – (2015)

 

Victoria é dirigido por Sebastian Schipper.

Uma boate, suas luzes, bebida, Berlim e Victoria. A sequência ficcional imita a vida, transgride os cortes, os planos médios, fechados e simétricos; a câmera além de nos contar a narrativa também reflete nosso olhar quanto espectadores diante do que acontece. Quando o silêncio permeia os acontecimentos, percebemos que há a necessidade, em certos momentos, de um diálogo verbal, pois tudo pertence à realidade dos personagens em cena. As brincadeiras, os risos, o elevador pequeno, tudo girando em torno de uma grande inocência, e tudo isso, faz parte do cenário estranho, diferente e ao mesmo tempo similar junto ao cumprimento envergonhado de um beijo no rosto.

Através de um café, um piano e mentiras bobas, o olhar de Victoria torna-se cada vez mais suave e apaixonante ao apaixonar-se por um certo alguém. A trilha de suas mãos ao tocar as teclas brancas-pretas e finas fazem soar o que era de verdadeiro naquela fantasia de outrora. Reticência e melancolia diante do não sabido por quem sente de frente, à primeira vista, o que a música pode trazer ao nosso peito; no peito dela. O desalento de não saber ser o que sempre quis e perder o sentido de um sonho quando se pratica o mesmo: há um degrau entre a esperança, um não, e a desistência. É belo ver a confidência poder existir, e de forma verdadeira, entre entrangeiros e desconhecidos – onde não há ligação alguma de passado e presente tanto quanto para com o futuro: é só o que é naquele momento. Contudo, apesar do charme e da gentileza daquele que se faz amigo, sente-se também uma certa desconfiança quanto a quem ele realmente é e diz ser.

Embora haja tal preocupação quanto à tal fato, não se vê o mesmo na expressão de Victoria, já que a diversão, à faz sentir-se melhor num sentido de acalmar seus ânimos tristes diante de sua vida. Ela ainda não percebe o que acontece à sua volta diante de tudo aquilo que ocorre; a ingenuidade preenche suas ações diante do que pode advir. O que esperamos é desespero, inquietude, desesperança. Porém, nela, se vê força, coragem, despreocupação; é ofegante, sem ar, sem direção. Sua vida estava ao contrário: com ar, com direção e sem vida. O respiro que o inusitado trouxe para Victoria transformou-se num ápice de felicidade, mesmo que toda ela fosse instantânea, mas pra ela, tendo valido a pena.
Victoria é narrado através de um ótimo roteiro, bons atores, uma trilha energética e tudo em plano sequência até o fim. Belo, sincero e verdadeiro.
Nota: 5

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