Batman vs Superman: os críticos, os fãs e uma opinião honesta - Cinem(ação): filmes, podcasts, críticas e tudo sobre cinema
Cinema Mundial

Batman vs Superman: os críticos, os fãs e uma opinião honesta

Este texto contém SPOILERS!

Um universo de consequências.

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Está finalmente entre nós Batman vs Superman: A Origem da Justiça. Após 3 anos de polêmicas, possíveis turbulências e adiamentos, o filme faz jus a própria história de seu desenvolvimento e estreia entre polêmicas e críticas divididas.

Round 1

Quando eu saí da pré-estreia de Batman vs Superman, eu havia adorado o filme. Gostado mesmo. Ao mesmo tempo que eu me sentia uma criança assistindo um episódio do desenho de Liga da Justiça, eu havia gostado dos temas e conflitos deste novo filme do universo cinematográfico da DC (ou no caso, o filme que impulsiona o universo de fato). Eu gostei das atuações. Dos quadros compostos pelo diretor do filme, Zack Snyder. Céus, eu havia gostado até da fotografia dessaturada do filme, que muitos criticam. Ele tinha problemas, é claro. Mas muitos deles foram relevados por trazer uma contraposição a um tipo de filme que cada vez fica mais repetitivo e decadente: o de “super-heróis”.

Então, foi com imensa surpresa que me deparei com as críticas, quase universalmente negativas, por parte da crítica especializada. Eu sabia que seria um filme divisivo, é claro, mas elas só cresceram quando caíram na boca da comunidade nerd (não acredito que estou usando este termo, a que ponto chegamos). Eram muitos colegas de redes sociais e amigos que criticavam o filme agressivamente, ridicularizando falas, problemas de roteiro (que concordo) e motivações de personagens. Eu não me importaria, pois isso é algo normal em qualquer filme de quadrinhos (e em qualquer filme de qualquer gênero, na verdade). Mas eu tinha gostado MUITO do filme. Eu achei que havia algo errado. Que talvez eu tivesse sido influenciado pelo evento exclusivo e a diversão toda. Ou talvez por ter visto o filme levemente embriagado, devido aos drinks que serviram no evento (era tudo um plano deles). Então, eu precisava assistir ao filme novamente e tirar uma conclusão de uma vez por todas.

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Round 2

Bom, lá estava eu, saindo da minha segunda sessão do filme, e eu AINDA GOSTEI DESSA BAGAÇA (nota mental: nunca, e só pra não esquecer, NUNCA duvide da sua opinião ou ache que há algo errado com ela. São pontos de vistas, afinal).

Bom, é hora de falar do filme em si, após uma introdução longa dessas. Em alguns dos tópicos, falarei sobre cenas-chave do filme.

Sempre fomos criminosos

“Sempre fomos criminosos, Alfred”, diz um Bruce Wayne mais velho para um Alfred mais novo e mais ativo no combate ao crime. Na visão de Snyder, não há espaço para o mocinho no preto e no branco, até mesmo para o Homem de Aço. Conhecido por ser uma espécie de escoteiro, o herói, aqui, é colocado ao seu limite, questionando o seu lugar no mundo, sua humanidade (o que o torna humano, afinal?) e chegando a cogitar matar (“Ninguém permanece bom neste mundo, Lois.”). Essa atitude e universo angustiante, assim como a motivação dos personagens e o que os define é onde recaem muitas das críticas. Mas antes de falar sobre os símbolos e motivações, vamos falar dos aspectos técnicos.

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A diferença entre este filme e o Homem de Aço

Os conflitos e temas continuam parecidos, mas a forma como o mundo é construído teve uma significativa (e bem-vinda) mudança. O filme de 2013 tem uma abordagem quase documental, no seu conceito de “como seria Superman no mundo real”, Snyder leva isso até mesmo para a fotografia. Com a câmera inquieta, na mão, a impressão é que o diretor tem dificuldades (tudo proposital, é claro) para focar os acontecimentos fantásticos que ocorrem na tela, com zooms inquietos e desorientação (exceto pela forma quase fetichista que o mesmo filma ação, mas chegaremos lá).

Em Batman vs. Superman, a impressão de que se tem é que finalmente abraçaram o mundo dos quadrinhos de onde a obra vem. Sim, ainda é tudo ambientado num universo essencialmente ancorado na “realidade”, com consequências quase sempre plausíveis, mas voltaram os slow motions característicos do cineasta, uma construção mais elegante de quadros, as excentricidades de Zack Snyder (chegaremos aí também) e a sensação de que estamos vendo um universo mais estilizado, e isso é bom para o filme e para o vindouro Liga da Justiça.

Trindade

O universo mais estilizado dá ao diretor de fotografia Larry Fong  (colaborador habitual de Snyder) espaço para construir uma fotografia dessaturada que condiz com o resto do universo estabelecido. Junto com um interessante design de set (a primeira aparição do Batman é um show a parte) e figurino (reparem nos detalhes dourados nos vestidos de Diana, a Mulher-Maravilha, refletindo seu uniforme). Os efeitos visuais são competentes, com deslizes em cenas mais elaboradas, como no vídeo de transformação de Ciborgue, onde a computação gráfica está inacabada certamente pela cena ter sido incluída no filme de última hora.

As atuações e seus personagens

As atuações estão competentes. Todos os atores fazem o melhor com o tempo que é lhes dado (tempo é precioso neste filme, com suas inúmeras subtramas), e o destaque fica para ninguém menos que Ben Affleck – quem diria – e seu cavaleiro das trevas. O ator concebe um Bruce Wayne cansado e amargurado,  marcado por 20 anos de combate ao crime. E sim, TODOS fazem um trabalho competente, até mesmo Jesse Einsenberg e seu Alexander Luthor Jr. cheirado na cocaína, que mija em jarros como payback. Até mesmo Gal Gadot e sua Mulher Maravilha Badass aparecendo no meio das lutas pra delírio da torcida. Até mesmo Henry Cavill e seu  Superman quebrador de pescoços. Há um imenso problema com a perspectiva dos fãs sobre quem estes heróis são e o que devem fazer.

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Quem são estes personagens?

Estamos num universo onde Batman mata, Superman cogita matar e Lex Luthor é… bom, você leu aí em cima. Caso não tenha ficado claro, estamos num universo diferente e mais realista nas consequências e, consequentemente, mais sombrio. Sim, eu como qualquer fã do Batman me surpreendi ao ver o mesmo explodindo carros conscientemente, atirando em bandidos e marcando os criminosos para serem mortos na cadeia (cara, isso é tenso). Mas lembre-se: este filme é baseado na obra O Cavaleiro das Trevas, do mestre Frank Miller. E aquele quadrinho é o que? Ele é uma extrapolação dos ideais e ações do Batman, resultando numa figura violenta, mais sombria e casca-grossa pra época. Algo que chocou. O que Snyder fez foi trazer isto para a época atual. Sim, o quadrinho de Miller é quase atemporal em seus conceitos, mas num mundo onde Batman caminha cada vez mais para se tornar o sujeito com os métodos desumanos da obra de Miller, era precisa uma mudança mais radical, do contrário a jornada do herói que está sendo construída para o morcego não seria catártica.

 

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É muito mais interessante ver um Batman assassino e amargurado reencontrar esperança e deixar de matar num futuro filme (temos que enxergar os arcos destes personagens à longo prazo, visto que é um universo compartilhado) por ser algo mais extremo. E o mesmo com Superman, acompanhamos Kal-El E Clark questionando a humanidade (incluindo a sua própria), com todos os protestos contra ele e seus atos. Sobre as chamadas “motivações sem sentido de Lex” e seu suposto “ódio irracional pelo Superman que soa forçado“? Caras, o Lex SEMPRE buscou poder e superioridade. Esta obsessão com ser maior que os deuses é algo interessante e mostra o quão insignificante ele é na sua própria grandiloquência (mas, novamente, mais sobre isso à frente). Eu me importo com a consistência dos personagens de acordo com o que foi apresentado antes na história. Você pode, por exemplo, deixar o Tocha-Humana negro, se levantar conflitos e questões interessantes no filme. Me mostre um Batman que mata e direi quem tu és me prove que ele funciona que aceitarei ele sem problemas.

Apocalipse (aí não mano)

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E é por isso, por exemplo, meus caros, que o Apocalipse é algo que não funciona tão bem no filme. Por mais que a origem no filme e quadrinho sejam diferentes, ele foi introduzido em ambas as mídias para uma única coisa: matar o azulão (o Superman, mano). Se nos quadrinhos o vilão teve um desenvolvimento um pouco melhor, no filme ele é apenas uma besta descerebrada que não chega a passar sensação mais forte de ameaça ou ser particularmente interessante. É meio genérico, pois já vimos este tipo de criatura incontáveis vezes no cinema, feita de melhor forma. E por ser tão genérico, ele enfraquece um pouco o peso de outro acontecimento que me agradou muito no filme: o super batendo as botas.

A Morte de Superman

Como mencionei, tudo neste universo tem uma consequência, que ocasionalmente envolve mais de um personagem central e é ancorada na realidade (cara, é a última vez que repito isso). A luta entre Zod e Superman, o herói quebrando o pescoço do vilão, a explosão do tribunal e por aí vai. E a morte do herói é essencial para o crescimento de Kal-El como Clark Kent, como humano. O que há de mais humano, afinal, do que a própria mortalidade?

AQUELA cena

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A cena de luta entre Batman e Superman era, por muitos, o mais aguardado do filme. E pra muitos foi um anti-clímax, pela forma que terminou. Pra quem não se lembra: prestes a ser morto por Batman, Superman, não conscientemente, o desarma com uma frase: “você vai deixar eles matarem Martha”. Martha, pra quem não sabe, é o nome de ambas as mães dos personagens-título, tanto do Morcego de Gotham, quanto do Filho de Krypton. Lentamente, Batman vai embora e é Bruce Wayne que emerge, confuso com o “alien” dizendo o nome de sua mãe. Muita, e eu disse MUITA gente criticou essa cena, dizendo que a frase proferida de Bruce para Clark, “Martha não vai morrer esta noite” era brega e piegas. Há sim, uma pitada de breguice (mais sobre isso nos próximos par… AH MANO LÊ AÍ TUDO DE UMA VEZ), mas o momento é ótimo por evidenciar, e resolver tão elegantemente o conflito dos dois: com espelhos. Citando o mano Guy Pierce em Amnésia, “todos nós precisamos de espelhos para lembrar a si mesmos de quem somos”, e é isso. Batman vê, no Superman, todos os medos e angústias que ele mesmo passou. Ele vê, no reflexo algo de que não gosta, algo que sempre desprezou: ele vê um valentão. Todo mundo lembra do Batman por ser o herói fodão, com os apetrechos de alta geração e um carro maneiro, mas são pequenos momentos como este que nos fazem parar e refletir o porque de tudo isso ter acontecido, com um personagem que prevaleceu diante de todas as adversidades.

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Pais e filhos

Logo de início, presenciamos mais uma vez a morte dos pais de Bruce, de uma forma diferente, que ainda consegue trazer algo de novo e ser sim, emocionante (já comecei o filme chorando). Violenta e poética ao mesmo tempo, a cena, quase toda em slow motion, traz ideias visuais interessantes; por exemplo, reparem como o coice da arma parte o colar de pérolas da mãe de Bruce. A maior contribuição, porém, que estabelece de vez, logo no início da obra, quem é o Batman é um simples gesto feito por Thomas Wayne. Em todas as revisões da morte dos Wayne, Thomas, o pai de Bruce, sempre abraçou a passividade. Tentou pedir calma ao assaltante, implorar, ou algo do tipo (sempre protegendo sua família, é claro), porém, Thomas faz algo neste filme que é mais importante do que parece de início e me fez pensar muito sobre quem Bruce Wayne é neste filme: Ele cerra os punhos… e vai pra cima do bandido. Talvez tenha sido este ato que causou a morte de ambos (um universo de consequências, lembra?), talvez não. Mas o que fica claro neste momento é que Bruce aprendeu uma lição: nunca se curvar perante o crime, nunca deixar a passividade tomar controle, o medo tomar controle. Nunca se render. Com um gesto, Thomas ensinou a maior lição do mundo para o jovem Bruce. “Que o mundo só faz sentido se você o forçar a fazer.

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Confesso que achei elegante a forma como ambos foram moldados pelos atos de seus pais, se tornando reflexos dos mesmos. Eu sempre preferi a morte de Jonathan Kent nos quadrinhos; o Superman pode ser o homem mais poderoso do mundo, mas não consegue impedir um ataque do coração. Isso tornava tudo mais interessante. Mas, vendo em retrospecto, a morte de Jonathan como um herói, se sacrificando para salvar os outros do tornado se torna mais relevante e simbólica.

Os problemas

Apesar de ter apenas rasgado elogios para o filme, ele tem alguns problemas. O maior deles é foco. Mesmo tendo uma teoria em relação a essa loucura que é a edição e o roteiro, é perceptível que falta um pouco de ritmo. Não fiquei incomodado com as visões de Bruce, mas algumas exposições de roteiro prejudicam o filme. Há uma conversa entre Clark e Jonathan na Antártica que soa bastante forçada, principalmente por não ser algo que condiz com os personagens, a cena só está lá para exposição sobre o humor de Kal-El. Algo que incomoda também é a necessidade de apressar a relação entre os personagens, por mais que a cena de “entendimento” de Batman e Superman tenha sido tocante, o roteirista Chris Terrio – de Argo – insiste em fazer o morcego dizer que Superman “é seu amigo” minutos após de quase o matar. Essa afobação de resolver os conflitos acaba deixando alguns dos momentos artificiais.

A trilha sonora foi criticada por ser exagerada e grandiloquente, mas isto é proposital e faz parte da ideia do filme, meio teatral, meio mitológica, meio tragédia grega (até na forma que os personagens se vestem).

Deuses entre Homens

A representação de uma estátua grega

A representação de uma estátua grega

Superman pode ser o “semi-deus”, mas uma coisa fica clara nos heróis de Zack Snyder: todos os são a representação de figuras quase “divinas”. O diretor os trata como ícones, como espécie de estátuas gregas, e isso fica claro no design de figurino inteligente dos heróis. São resgatados, lá da época de Joel Tim Burton e Joel Schumacher (sim, ele mesmo) as fantasias com músculos. Este é um conceito que Schumacher entendia. Os mamilos na roupa de músculos do Batman eram parecidos com as armaduras de guerreiros gregos, parecidos com aquelas esculturas de mármore de “homens anatomicamente perfeitos” da época. O cineasta pega este conceito na forma literal, e percebe-se a imponência que os heróis passam, sendo representações literais dos quadrinhos (nos quadrinhos, não importa o quão larga a roupa, os músculos esculturais sempre aparecem),  Snyder pode apenas raspar a superfície da discussão, mas se tem uma coisa que ele não é é ingênuo.

E já que toquei nesse assunto, vamos falar de ironia.

A Ironia de Zack Snyder

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Sempre deixei bem claro meu apreço pela filmografia de Zack Snyder. Em entrevista na época de lançamento de O Homem de Aço, Snyder fala um pouco sobre sua carreira, e sobre a lógica visual de seus filmes. Sobre  as críticas que costuma receber pela alta estilização de realidade, com visuais fantasiosos (inegavelmente bonitos esteticamente) e o uso excessivo do slow motion em seus filmes. “Muitas pessoas acham que eu apenas sei fazer esse tipo de filme, mas elas não percebem que eles são assim (estilizados) por um motivo“, diz o diretor.

Homem de Aço é o meu único filme que não tem ironia. Se Superman é o filme mais realista que eu fiz, isso diz algo sobre a forma que vejo filmes. 

 

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Zack Snyder e Henry Cavill em O Homem de Aço

Snyder flerta também com o brega (como disse o amigo Daniel Cury em seu ótimo texto), como em quase todos os seus filmes (a cena de Sexo ao som de Hallelujah em Watchmen, alguém?), e parece que ninguém entendeu. Em tempos em que que as pessoas esperam o tipo de filme cômico, inofensivo, genérico e autorreferencial ao ponto de quebrar a quarta parede e se achar inteligente por isso (que só falta te acertar com um bastão na cara e dizer “viu? viu? olha só, estamos sendo irônicos! estamos fazendo referencia ao próprio filme!“), é reconfortante ver o cineasta caminhando no sentido oposto, fazendo um tipo de filme diferente com o gênero (assim como Neveldine/Taylor e seu Motoqueiro Fantasma: Espírito de Vingança, bem problemático, mas com uma atitude trash e assinatura inegável de seus criadores). Snyder renega essa necessidade mercadológica e prega uma peça em todo mundo, inclusive nos seus personagens.

A Tragédia de Zack Snyder

E por falar em peça, Snyder arquiteta aqui uma verdadeira tragédia grega, com pitadas de farsa quando Jesse Einsenberg e seu Lex Luthor está em cena. A estrutura do filme lembra a de uma peça. Desde o letreiro sobre fundo branco que aparece ao início: “A humanidade é apresentada ao Superman“, como se estivéssemos precedendo um ato de fato, à própria forma como a história é contada. A edição do filme, criticada por muita gente, é trabalhada quase sempre da seguinte forma: personagem ou conflito; questionamentos em cena; fade out; fade in para o próximo conflito e personagens e assim segue. É como se cada cena tivesse um clímax próprio, que começa e termina em si mesma, acompanhada da grandiloquente trilha sonora composta por Hans Zimmer e Junkie XL (cada personagem tem um tema escandaloso marcante).

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Sabemos que Snyder tem a tarefa de expandir todo um universo compartilhado cinematográfico para as próximas produções da DC e a edição “desprendida” pode causar um estranhamento para alguns, mas devo dizer que esta interpretação me agrada cada vez mais que penso nela. Não fica clara se era esta a intenção do cineasta (mesmo que não fosse, uma obra é aberta a interpretações no momento em que é “jogada” ao mundo), não podemos negar que Snyder passeia por muitos destes temas. Os planos e grandiloquências tolas de Luthor gritam Som e Fúria de Shakespeare, e, voltando ao Homem de Aço  de 2013, indo um pouco além das óbvias e já manjadas referências a Jesus Cristo, Clark lê A República de Platão, ainda garoto, em cena do filme, o que soa muito apropriado não só aos questionamentos existenciais de Clark/Kal-el como também aos temas políticos e sociais de Krypton (os bebês serem criados geneticamente para terem um lugar e função pré-definido na sociedade; Lara e Jor-El terem Clark de forma natural).

Sem título

Simbolismo óbvio vs. Simbolismo interessante

Como eu já mencionei, Snyder pode ser taxado de muitas coisas, mas por baixo de todo o fanservice, cenas de ação estrondosas e criaturas de outro mundo, há simbolismos e tentativas – mesmo que superficiais de início – de deixar seus personagens mais complexos (o quadro de Luthor ao contrário, no final é divertido e evocativo). Então, “há mais por baixo dessa tolice que é Batman vs Superman?

Vindo da crítica social de Madrugada dos Mortos, do homoerótico “matcho” de 300, das críticas ao mundo dos quadrinhos de Watchmen (aquilo são mamilos na armadura do Ozymandias?!) e as cutucadas (e entrega) ao cinema de ação no fraco Sucker Punch, eu não acharia nada irônico se houvesse. 😉 

O problema das críticas

Eu acredito que Batman vs. Superman é um filme muito fácil de criticar, mas também muito fácil de ser mal interpretado. Os tons irônicos, bregas e exagerados do filme confundem os que vão assistir com uma ideia pré-concebida de como esses personagens são e devem agir, assim como o tipo de filme que querem; parece que ninguém quer ver um filme de super-heróis que renega, momentaneamente o “heroico”. A verdade é que tem muito fã que vai no embalo das críticas. Não estou dizendo que todas as pessoas que não gostaram estão sendo influenciadas (na verdade, estou sim), mas veja a situação: ao saírem as críticas, vi muitos comentários sobre elas. Gente que estava tão ansioso e com fé no filme que começaram a xingar quem havia escrito. Com os textos positivos, os comentários eram algo como “Muito obrigado! Este filme vai ser genial!”, percebem isto?

Estamos fazendo CRÍTICAS de CRÍTICAS! Antes mesmo de ver o filme! Se você fizer isto, mesmo que não ache, será sim influenciado. Há, também, o lado (haterzinho de merda) troll que só está cativado com a ideia de criticar o filme mesmo sem ter visto. De tempos em tempos, recai sobre nós uma bomba. Tivemos Elektra, Mulher Gato, Lanterna Verde… E é divertido “destruir” estes filmes com piadas e apontar seus erros grotescos. Eu,  como um fã de uma trasheira, acho um bom passatempo (aliás, Mulher Gato é um filme ruim sensacional, cara).

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 Mas os fãs estão QUERENDO que estes filmes sejam ruins antes mesmo deles serem lançados. Qual é o sentido disso? Eu, como fã de quadrinhos, quero sempre o melhor filme possível. Por isso, há o tipo de filme que é fadado a ter este tipo de reação, veja o reboot de Quarteto Fantástico, por exemplo.

Um começo digno para a Liga da Justiça

Como não mudei minha opinião desde a primeira vez que o assisti, aqui vai minha opinião final:

Sabe aquelas animações da DC que você curte por trabalhar mitologia, personagens e roteiro de uma forma muito coesa e interessante, e que não parávamos  de questionar porque eles não tentavam isso nos cinemas? Então, parece que a DC começou a ouvir. Só quero dizer que não, não há algo de errado com você se gostou de Batman vs. Superman. 😉

E para os haters, só digo isso:

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