Crítica: Ex Machina

Crítica: Ex Machina

Ex Machina foi indicado para melhor roteiro original e efeitos visuais, ambas as categorias de modo muito justo. O filme não esteve no cinema brasileiro, sendo lançado diretamente em DVD, mas entrou para a lista de melhores do ano de muitos (na minha fica no top 15).

O Rafael Arinelli já publicou uma análise sobre o longa, vocês podem conferir aqui. Nós trazemos alguns pontos diferentes, inclusive na nota. Então vale a leitura de ambas.

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Só relembrando, a trama nos traz Caleb (Domhnall Gleeson, o General Hux em Star Wars VII). Um programador que trabalha em uma empresa que domina o mercado de buscas na internet, parecida com o Google. Ele é sorteado para ficar uma semana na casa do dono da organização, o excêntrico e enigmático, Nathan (Oscar Isaac, o Poe Dameron, também de Star Wars). O patrão está trabalhando em um projeto secreto: a construção de uma inteligência artificial e pede para que Caleb interaja com Eva (a robô em questão, muito bem interpretada pela Alicia Vikande) fazendo o teste de Turing nela. A androide tem características bem humanas, não só respondendo o básico, como apresentando coisas mais abstratas.

Vale a explicação: o Teste de Turing – sim, o mesmo Turing biografado no Jogo da Imitação –  consiste em verificar se uma máquina apresenta comportamento inteligente semelhante aos humanos. Não exatamente se responde certo ou errado, mas se ela é reconhecida como máquina ou se pode se passar por humano, em um teste cego, por exemplo.

Caleb e Nathan, são inteligentíssimos. Os diálogos entre eles trazem várias referências a questões científicas, literárias e morais. Mas tudo nos é colocado de forma bem simples, longe de parecer pedante ou professoral demais. Ambos são diferentes entre si, enquanto um é tímido e inseguro, o outro é um beberrão que vive malhando. O quê torna os encontros deles ainda mais curiosos. Mas os adjetivos de Eva são os elementos centrais aqui. Não falarei nada além de “instigante”, para evitar spoiler. O fato é que os três atores, Gleeson, Issac e Vikande, estão muito bem. Dando vida a três personalidades de forma bastante convincente.

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Os questionamentos morais, que citei anteriormente, perpassam a obra toda. E o mais assustador é que parecem ser muito próximo de nós, aliás, alguns problemas levantados já ocorrem. Além da óbvia referência bíblica nos nomes dos três personagens centrais, há outras em alguns momentos, por exemplo, uma frase sobre homens e deuses que é sensacional. E como é dito em uma passagem do filme: “a questão não é se, mas quando essas coisas serão realidade”. Considero, portanto, o filme mais um suspense/drama do que ficção científica em si.

Alex Garland escreve e dirige filme, sendo é a primeira vez que é o diretor. E ambos os aspectos são realizados de forma muito boa, principalmente o roteiro. Tudo funciona: a história te leva a crer em uma coisa e depois você tem certeza de outra, e mais tarde muda de ideia, volta para a primeira… enfim, para quem gosta de mistério temos um prato cheio. Além disso os personagens são complexos e, cada um de uma maneira, nos fazem ficar vidrados em cada palavra, trejeitos e ações.

Na parte técnica vale destacar a trilha (presente em momentos e tons certos), efeitos visuais (pois não abusa, algo tentador neste tipo de filme. Quando aparecem, principalmente em Eva, são muito bem explorados) e montagem (o ritmo pode ser um problema para alguns, a primeira parte lenta e a última aceleradíssima, mas considero, senão um mérito, algo condizente com a proposta). Já a fotografia merece um capítulo à parte. Tanto os ambientes da casa quanto fora dela tem enquadramentos muito bons, alguns propositalmente tortos, e que demonstram um bom uso da luz, contrastando tons frios e quentes em vários locais. Acho que Fotografia também poderia entrar entre os indicado ao Oscar deste ano, mas os concorrentes que lá estão de fato fizeram um trabalho tão bom ou melhor. A direção apesar de falha em alguns pontos mínimos, harmoniza tudo muito bem.

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Mesmo com as viradas na trama, alguns pontos são óbvios demais. A resolução do último arco perde um pouco de força dramática (talvez pelo ritmo criticado por alguns e por mim defendido). E se o filme acabasse dois ou três segundos antes seria mais poético.

Já que Os Oito Odiados está fora dos indicados para melhor roteiro, acho que, junto com Spotlight, Ex-Machina tem fortes chances aqui. Apesar dos efeitos visuais convencerem (especialmente na composição física de Eva) os concorrentes são Mad Max, Star Wars e Perdido em Marte. Logo, Ex Machina deve apenas fazer figuração nesta categoria. É um filme que merece ser visto. Acho que agradará uma gama variada de pessoas, principalmente as que toparem uma bela reflexão sobre os assuntos tratados.

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