Crítica: Creed – Nascido para Lutar

Crítica: Creed – Nascido para Lutar

Creed_NascidoParaLutar_poster“Não importa o quanto você bate, mas o quanto aguenta apanhar e continuar. O quanto pode suportar e seguir em frente. É assim que se ganha”. A frase dita por Rocky Balboa no filme homônimo de 2006 (exaustivamente repetida em palestras de autoajuda), foi lembrada por este que vos escreve já nos momentos finais do filme, e é apenas uma entre as muitas partes da série de filmes do boxeador mais famoso do cinema.

Os filmes da série “Rocky” não são apenas filmes sobre boxe – e nenhum dos bons filmes o são. Eles são sobre perda, sobre as lutas que temos que enfrentar, e sobre o confronto de cada um consigo mesmo. “Creed – Nascido para Lutar” não é diferente. Na trama, acompanhamos Adonis “Donnie” Johnson (Michael B. Jordan), mais tarde Adonis Creed, que é filho do lendário Apollo Creed, criado pela viúva dele (portanto, sua madrasta). Após sair de um bom emprego em busca de seu sonho de se tornar um lutador de boxe – e encontrar a si mesmo, Adonis vai à procura de Rocky (Sylvester Stallone em uma de suas melhores performances) para que ele o treine. Relutante, o veterano acaba aceitando. O que se vê, em seguida, é uma sequência de atos intensos, emocionantes e cheios de carga dramática – acompanhados de uma trilha sonora empolgante que não fica devendo para a entoada clássica do primeiro filme. Até mesmo o interesse amoroso de Adonis, que poderia parecer forçado por pura exigência do roteiro, torna-se interessante graças ao impacto da personagem Bianca e à ótima atuação de Tessa Thompson.

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A direção de Ryan Coogler é admirável e confirma a força do jovem diretor como uma das maiores promessas de Hollywood, já elogiado por “Fruitvale Station” – que também alavancou a carreira de Jordan. Se os cortes secos em certos momentos trazem eficientes piadas e mudanças abruptas de sentimentos – ou maior impacto em pelo menos dois pontos dos últimos minutos da projeção, os planos sequência e câmeras em primeira pessoa dão fluidez e força às cenas de luta, incrivelmente realistas. A estratégia de dar informações sobre os boxeadores que cruzam o caminho do protagonista por meio de letreiros se mostra bastante acertada, especialmente pela presença muito comum de emissoras de TV com a linguagem que utilizam nas transmissões esportivas.

Ainda vale a pena ressaltar o roteiro que o próprio Coogler divide com Aaron Covington. Enquanto é interessante a profissão “sofisticada”, em contraponto à que Rocky tinha em seu início de carreira, vale discutir a questão colocada no filme sobre o fato de Adonis tentar descobrir a si mesmo: enquanto ele renega o sobrenome do pai a fim de construir sua própria história, acaba ficando sem saída quando todos descobrem, e ao mesmo tempo em que aceita o sobrenome do pai, também encontra a si mesmo e se aceita completamente. Afinal, quem somos nós senão uma consequência do passado – e do sobrenome – que carregamos?

Por fim, “Creed” ainda traz inúmeras referências a lugares e personagens da franquia, capazes de apresentá-los aos jovens que ainda não viram os primeiros longas, e também de relembrar aos fãs tudo o que os filmes significam. E desta forma, “Creed” não é apenas uma grande obra, mas funciona tanto por ser uma homenagem aos longas anteriores, quanto por possibilitar um excelente recomeço à franquia…

…além de poder ser utilizado como filme de motivação por palestrantes de autoajuda.

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5/5

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  • Marcelo Castro Moraes

    Achava piada quando anunciaram que haveria mais um filme do personagem, mas pelo visto, na vida tudo é possível.

  • Daniel Lemos Cury

    E o filme ainda é excelente! rs

  • Lucas Albuquerque

    Não é exagero colocar Creed como o segundo melhor filme da franquia (considerando-o como um Rocky VII). É um “despertar da força”dos filmes do Rocky e tal qual o o filme do JJ, temos aqui referências aos filmes anteriores, a maioria delas funcionando de forma natural. E mesclado às citações das tecnologias atuais ficam ainda melhores (a piada da nuvem é muito boa). A Tessa Thompson está muito bem e a personagem dela mostra a evolução da representação da mulher nestas décadas, não faria sentido temos uma Bianca à la Adrian em
    Rocky I. Posso estar louco, mas essa trilha nova tem algumas notas da clássica (ou seja, se isso for verdade, há uma homenagem, mas dizendo: “este aqui é um personagem novo, portanto trilha nova”). Os planos sequências são incríveis, ajudando na imersão dos embates. A luta final, apesar dos golpes francos, é uma das melhores da franquia. O fraco “vilão” final, sem profundidade, lembrou o Escobar de “Nocaute”, mas aqui ele funciona um pouco melhor pois a ideia é deixar claro que o maior inimigo do Adonis é ele mesmo. E foi a melhor atuação do Stallone, mas a categoria de ator coadjuvante teve uma grande injustiça ao não
    indicar o Idris Elba (de Beasts of no nation). Dentre os presentes, não será nenhum absurdo ele levar o prêmio.

    Devo confessar que chorei em duas cenas (a da entrega da cachaça e da rosa e também na
    cena final)