Entrevista: Armando, Kapel e Raphael, do Cinelab!

Entrevista: Armando, Kapel e Raphael, do Cinelab!

Estrelado por Armando Fonseca, Kapel Furman e Raphael Borghi (nesta ordem, na imagem acima), o Cinelab é um grande sucesso do Universal Channel e do canal SyFy! O programa mostra como funcionam os efeitos especiais práticos em filmes de terror e ação, em formato de reality show! O programa é a primeira produção nacional do Universal Channel, e atinge em cheio o público, que adora ver as soluções encontradas pelos especialistas.

A ideia do programa é mostrar que não é preciso de muito dinheiro para fazer cenas com efeitos especiais… só precisa de criatividade!

Confira nosso papo com os três comandantes do programa!

Como surgiu o projeto do CineLab? Vocês já se conheciam antes?
Kapel: Sim, trabalho junto com o Raphael desde 2008 e com o Armando desde 2009. Em 2012 a Boutique, produtora do programa Cinelab, entrou em contato comigo com a ideia de fazer um programa sobre Efeitos Especiais. A ideia ainda estava como embrião, no final de 2012 apresentei o Armando e o Raphael para eles, e também o making-of de alguns filmes que já tínhamos feito de forma independente e no nosso estilo, com esses ingredientes surgiu o conceito do Cinelab.
Armando: É maneiro porque desde o começo a gente tem a liberdade de sugerir e incluir ideias no programa. Nós imaginamos o roteiro do filme de cada episódio, e o pessoal da produção registra em forma de reality como a gente executa aquela ideia. E por mais maluco que seja o plano de execução do filme, os mil percalços que já tivemos durante anos fazendo nossos próprios filmes nos ajudam a relembrar como contornar os problemas no set e terminar o filme pro episódio do Cinelab ficar o mais incrível possível.
Raphael: Sim, nos conhecemos há alguns anos. Trabalho com o Kapel desde 2008, e em 2009 enquanto filmava o curta Desalmados conheci o Armando, que chegou na hora certa para editar e salvar o projeto. Até onde sei, a Boutique filmes queria fazer um reality de efeitos especiais no formato de batalha com efeitos práticos contra efeitos de computação grafica, o Kapel estava já era cotado, e nos apresentou para Boutique, que achou que seria uma boa ideia mudar os planos e adicionar dois idiotas para estragar o programa (risos).

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Kapel, Raphael, Armando

 

Como tem sido a convivência entre os três no programa? Vocês tem algum tipo de visão diferente na hora de botar a mão da massa?
K: A convivência entre nos três é bem boa porque basicamente é a mesma fora do programa. Temos visões diferentes o tempo inteiro porque cada um tem referências pessoais bem fortes, mas os três conseguem reconhecer quando uma cena ficou boa ou quando ficou uma droga.
A: O que fazemos no Cinelab é reflexo do que fazemos quando estamos rodando nossos próprios filmes. Mas sempre que nos deparamos no set com algum desafio que pode ter muitas variáveis de resultado, nós discutimos ideias e tentamos chegar num consenso de como fazer aquela cena funcionar da melhor forma possível dentro do filme.
R: A convivência é a mesma desde sempre, a diferença é que agora colocam uma equipe pra filmar o que fazemos, e nos dão condições estranhas. O fato de cada um ter sua visão só agrega, isso apenas soma para nossos projetos. E para o programa, ajuda a virar uma grande salada mista.

 

De cada um de vocês, qual foi o filme ou cena da sua carreira que mais desafiou?
K: Depende muito, inclusive porque o clima do set é essencial para um bom trabalho, sendo assim teve filmes em que o efeito especial nem era tão complicado mas o clima do set era tão pesado que o negócio se torna tenso. Por outro lado, teve efeitos desafiadores que foram excelentes de se fazer porque o set e o diretor do filme eram muito gente boa e sabiam muito bem o que queriam. Mas os mais desafiadores são os que a gente faz nos nossos projetos porque temos um conceito bem claro do que queremos e a possibilidade de ficarmos frustrados é bem maior.
A: O que acho mais desafiador não é rodar as cenas de ação e efeitos especiais, e por mais que essas sejam as cenas mais divertidas e satisfatórias de se rodar, essas cenas são sempre muito bem planejadas e ensaiadas, por conta do cuidado com os atores e os perigos reais que cenas como essa envolvem.
No nosso novo longa por exemplo, “Percepção do Medo”, os atores tinham que, cena a cena, construir a tensão que levaria ao clímax da história. E a cada cena de diálogo frenético eu me sentia desafiado a passar o máximo de sentimento aos atores, e não me atordoava ter que cortar para que eu pudesse conversar mais a fundo com os atores e chegarmos às melhores nuances e porquês de cada linha do diálogo. Foi um belo desafio rodar um longa dessa vez que não fosse focado em cenas de ação e efeitos especiais, mas a chance de poder trabalhar com Ricardo Gelli, Felipe Folgosi, Mariana Hein e outros atores incríveis que sempre que podem inserem mais carga dramática às falas de seus personagens foi recompensador. Se eu tivesse um orçamento mais gordo pra rodar um longa, com certeza isso se reverteria em pagar bem a equipe e elenco, porque quem faz um filme não é uma pessoa só, mas a junção da equipe toda unida que faz o filme acontecer. Num filme, a equipe sempre feliz e bem alimentada é um dos fatores mais importantes.
R: Até o momento tudo foi um grande desafio. Mas com um orçamento melhor teríamos condições de trabalho melhores, e a possibilidade de executar com calma cada pedaço do projeto.

 

Falta de dinheiro não é desculpa para não fazer um bom trabalho, mas quanto mais dinheiro, melhor! O que vocês gostariam de poder fazer se tivessem uma produção “cheia da grana” nas mãos?
K: Falta de dinheiro com certeza não é desculpa, o que eu gostaria de fazer se tivesse com uma produção cheia da grana era pagar bem a equipe, que eles merecem e não adianta você ter uma câmera chique para se fazer um filme e esquecer que precisa de uma equipe competente.

 

O que é mais divertido: fazer explosões e efeitos em filmes de ação ou tripas e sangue em filmes de terror?
K: Tripas e sangue.
A: Ah, o mais divertido de fazer filmes é a quebra de rotina com a qual lidamos, um dia estamos fazendo um terror com sangue e fantasmas, daí no outro dia precisamos fazer uma luta em cima de um caminhão ou uma cena de guerra com várias explosões enquanto o Borghi corre pelo meio do fogo.
Essa variedade é boa demais, e eu só estou satisfeito com a diária se no final do set eu estou completamente sujo de sangue e terra, isso pra mim aí sim quer dizer que foi um dia bom e produtivo.
R: É tudo uma questão de deixar fluir. Primeiro vem as explosões e tiros, seguido de sangue e tripas. São dois gêneros bem distintos, mas bem iguais pra mim em termos de diversão.

 

Filmes de terror e ação ainda tem um interesse relativamente baixo do público? O que é possível fazer para mudar isso? Como vocês veem o crescimento do audiovisual no Brasil?
K: Filmes de terror e ação tem um interesse bem grande do público, um publico especifico porém bem fiel, inclusive é o tipo de gênero que não importa qual filme você faça, alguém vai assistir e curtir muito. Mas focando no público brasileiro, há dois fatores, o primeiro é que em geral, nosso público é bem reacionário e retrógrado, o que complica quando a proposta de um filme é ter uma discussão ou controvérsia, por isso que os filmes de terror nacionais que alcançam as salas de cinema são bem chapa branca ou inofensivos. O outro fator é que há uma expectativa de comparação com o cinema americano – falando de forma geral- e quando se oferece algo que fuja desse cenário, por mais bem feito que seja, se encontra uma resistência forte.
A: Creio que exista público pra tudo, mas o que vemos acontecendo com o entretenimento é que ele tem se espalhado por tudo que tenha uma tela. Quem está em posse dessas telas está escolhendo o que assistir, e isso tem feito com que as pessoas com nichos de interesse em comum se encontrem e, mesmo que geograficamente isolados, criem uma rede que indica a mais pessoas e que espalha quais obras valem a pena ser assistidas.
O cinema físico, a sala de projeção, nunca vai morrer, lá é a maior janela onde os filmes têm que ser exibidos. Digamos que o cinema é onde os longas finalizados têm que mirar exibição, porque depois disso o filme vai para TV fechada e streaming pela internet, sendo alugado ou comprado para ser assistido. Mesmo hoje, quando as salas de exibição são dominadas por blockbusters que custaram 200 milhões de dólares, ainda há espaço no cinema comercial para filmes nacionais, sejam eles essas chanchadas novelescas da Globo ou um longa de ação de baixo orçamento. O público está aí, é só oferecer os filmes que o pessoal vai adorar assistir, seja na tela que for.
R: Existe um público bem grande e fiel para este nicho. Só lançar um blockbuster de ação ou terror que as salas ficam lotadas. Fora da concentração blockbuster existe um público mais fiel ainda. Sinto que a área vem crescendo mas infelizmente não são todos os setores que evoluem, e isso trava o mercado, para todos os gêneros, e obriga a procurarmos um mercado fora do país, que às vezes parece muito mais paupável que o nosso. Para o audiovisual brasileiro, prevejo alta na publicidade, prevejo publicitários felizes e sorrindo cifrões, e quem sabe ainda possamos assistir “Se eu fosse você 5” com grande elenco se metendo em altas confusões em mais uma chanchada brasileira, todas as quartas em promoção no cinema mais próximo de você, em 3D.

 

Armando, Kapel e Raphael estarão presentes no Acting & Film Festival, que ocorre de 27 de julho a 2 de agosto em São Paulo.

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