Entrevista: Paul Brown, diretor e produtor

Entrevista: Paul Brown, diretor e produtor

Prestes a chegar no Brasil, o produtor, diretor e roteirista Paul Brown já esteve envolvido em diversos projetos, como os telefilmes da Disney Channel “Camp Rock” e o mais recente filme “Heaven’s Rain”. Também na TV, escreveu episódios para séries como “Jornada nas Estrelas: Voyager”, “Jornada nas Estrelas: Enterprise”, “Arquivo X” e “Pacific Blue”.

Tivemos a oportunidade de entrevistar o produtor, e optamos por falar um pouco mais sobre as diferenças de público e produção para TV e Cinema, já que o diretor tem experiência em ambas as mídias. Confiras as respostas do diretor Paul Brown.

 

No que diz respeito ao trabalho de produtor, qual a maior diferença entre produzir um filme para TV e um filme para o cinema?
Produtores de filmes são responsáveis pelo orçamento e por contratar roteiristas, diretores e pessoas chave na produção. Na televisão, os produtores geralmente são também roteiristas, e produtores-roteiristas tem mais poder na TV.

Produzir filmes para crianças e adolescentes deve ser desafiador. Hoje em dia, as crianças devem mudar bastante o comportamente a cada dois ou três anos, imagino. Como você faz para conhecer melhor seu público?
Produzir para crianças e adolescentes… como você conhece o seu público? Escrever um bom filme para crianças deve funcionar em dois níveis: você escreve para que os mais jovens possam gostar da história, mas também pensa em como os pais podem gostar do filme. Isso não é uma tarefa fácil, mas grandes filmes para jovens devem falar com a criança em cada um de nós. Outra forma de conhecer seu público é olhar para os últimos cinco filmes que fizeram sucesso com o público. Embora não se possa copiar sucessos do passado, é possível olhar para temas universais, experiências, sonhos e medos – e falar sobre eles para se conectar a audiência à história. As histórias tem grande poder quando entretêm, inspiram e até instruem o público.

De que maneira você tentou criar algo novo em “Heaven’s Rain”, já que é uma história real e Brooks Douglass (cuja vida é contada) co-escreveu o roteiro? Você concorda que há espaço para a ficção em histórias tão fortemente baseadas em eventos reais?
Há muitos acontecimentos que serviram de pano de fundo para a história que inspirou “Heaven’s Rain”. Você tem que cortar os eventos desnecessários e encontrar um fio condutor poderoso para ligar as emoções do público à história criada. Mesmo que tenha acontecimentos e diálogos que aconteceram de verdade, também tivemos que criar diálogos e momentos para unir os pontos de maneira atraente. Há muito trabalho criativo para trabalhar quando se conta uma história verdadeira – e temos que combinar eventos reais com a imaginação para impactar o público.

Quais foram as maiores dificuldades de filmas na Floresta Amazônica? E qual foi a melhor parte?
A maior dificuldade foi levar o elenco, equipe e equipamentos para dentro da floresta, e ao mesmo tempo garantir que todos estivessem seguros e bem alimentados. A melhor parte foram os momentos mágicos que filmamos com as tribos amazônicas – vendo o amor, inocência e amizade entre as pessoas das tribos.

A TV e o Cinema estão se aproximando cada vez mais, especialmente porque algumas produções para a TV estão ganhando status de verdadeiros blockbsters. Você acha que vai acontecer de as produções de TV e Cinema não terem diferenças? Será que as múltiplas plataformas vão fazer as pessoas encararem o audiovisual como uma única coisa?
Como podemos ver, séries de TV atualmente estão mais complexas e com personagens mais interessantes que a maioria dos filmes, que agora focam mais no espetáculo. O fato de que as pessoas assistem séries e filmes no computador e celular iguala muito mais as coisas. O fato de que qualquer um agora tem tecnologia para fazer filmes – com smartphones, câmeras e programas de edição – é animador e desafiador ao mesmo tempo. Você não pode culpar mais ninguém para não fazer seu filme. Você pode fazê-lo – mas isso exige seu talento, paixão e habilidades de storytelling. A questão é: você vai fazer? Você consegue fazer bem feito? Você tem algum presente para dar ao seu público? Se você fizer o filme, eles vão te amar por isso. Mas se é tudo sobre servir ao seu próprio ego, preste atenção… isso não dá combustível para ter uma carreira longa e significativa.

 

Paul Brown estará presente no Acting & Film Festival, que ocorre de 27 de julho a 2 de agosto em São Paulo.

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