Crítica: Julie & Julia

Crítica: Julie & Julia

Pensem em um filme gostoso de assistir. Leve, delicado e gracioso. Foi essa a impressão que tive do filme inteiro… Até chegar nas cenas finais. Logo aqui já justifico meus 4 claquetes: uma específica cena do final foi uma decepção para mim. Aí vocês me perguntam: “Juliana, se você diz que tem uma cena que você achou horrível, que acabou com a essência do filme, por que ainda vai designar 4 claquetes para ele!?”. Por um simples motivo: o filme é baseado em duas histórias reais, e ninguém pode mudar o que ocorreu de verdade nessa história toda (embora isso seja feito por muitos roteiristas). Então logo aqui já quero dizer que Nora Ephron (falecida em 2012) fez um ótimo trabalho como diretora e roteirista nesse filme. Ela conseguiu representar com autenticidade as duas histórias. Para discutir a cena final, obviamente esse texto está recheado de spoilers.

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Julie & Julia foi lançado em 2009, estrelando a admirável Meryl Streep (Julia Child), ao lado de Stanley Tucci (Paul Child), Amy Adams (Julie Powell) e Chris Messina (Eric Powell). A maior pegada do longa é que ele acontece em duas épocas distintas: a história de Julia Child é contada no final da década de 40, enquanto a história de Julie Powell se passa no presente. Então vamos por partes!

Julia Child, falecida em 2004, foi uma americana que morou na França e escreveu o livro Mastering the Art of French Cooking, com o intuito de ensinar a culinária francesa para as mulheres americanas. Também foi uma apresentadora de programa de culinária. Seus programas podem ser assistidos no YouTube, procurando por The French Chef. Ela foi uma grandalhona e carismática mulher, com o seu jeitinho todo especial de ensinar os truques da culinária francesa para o mundo. Voltando ao filme, Meryl Streep não poderia ter interpretado uma Julia Child com maior perfeição, e isso lhe rendeu o Globo de Ouro de Melhor Atriz. A vida de Child é retratada no começo de sua carreira culinária e na batalha para escrever o livro, sempre contando com a ajuda de seu marido Paul. Streep captou toda a essência da personagem, até o seu jeito de falar! É impressionante! Só não é extremamente impressionante porque sempre podemos esperar isso de Streep. Essa parte do filme é baseada no livro My Life in France, escrito por Alex Prud’homme.

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A “segunda história” do filme retrata a vida de Julie Powell, uma moça casada que possui uma vida monótona no trabalho, sendo essa parte baseada em um livro de memórias de Powell. Então, o que ela faz para dar uma animada na vida? Resolve criar um blog chamado The Julie/Julia Project, com um simples desafio: reproduzir as 524 receitas do livro de Julia Child em um período de 365 dias. E assim, vemos os altos e baixos da vida de Powell, com seu marido Eric sempre a apoiando. À medida que Powell vai escrevendo suas experiências no blog, mais acessos são computados, até que o seu desafio chega à mídia. A atuação de Amy Adams também é excelente, retratando os surtos de Powell na cozinha, e seu empenho para terminar o desafio imposto por ela mesma.

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O filme em si é lindo. As músicas são leves, com um toque francês, totalmente ao encargo do compositor Alexandre Desplat. O balanço entre as histórias é harmonioso, e embora exista toda essa leveza, não é um filme que te deixa com sono. Mas então vem a grande pergunta: o que raios o filme possui para não ser perfeito?

A cena final é perfeita sim. A cena antes do final não é. Na última cena, vemos que Julia Child conseguiu publicar seu livro, e vemos toda aquela emoção e felicidade compartilhada junto com seu marido. É cativante! Mas antes da cena final… Powell recebe uma ligação. A notícia do seu blog chegou aos ouvidos de Julia Child. Ela finalmente conseguiu que seu desafio chegasse à sua maior inspiração, à mulher que mudou completamente seu jeito de cozinhar e de ver a vida! E sim, sentimos que Powell quer mais do que tudo conhecer Julia Child. Mas a notícia não foi assim tão boa. Julia Child odiou o blog de Julie Powell. Obviamente, Powell não entende (e nem eu), mas ela não deixa isso a atingir, o que é ótimo! Mas uma mulher tão amável como Julia Child não gostar de um blog inspirado no livro dela, isso eu não entendo. Dando uma pesquisada, vi que Child não gostaria que os outros ganhassem dinheiro através de seu nome. Mas esse não foi o objetivo de Powell. O blog só mostrou como Julia Child se transformou em uma inspiração para muitas americanas que queriam aprender a culinária francesa, e eu acho que isso deveria ser uma honra. Mas, infelizmente, não foi assim que Julia Child interpretou esse gesto.

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Para encerrar, como disse antes, Nora Ephron só retratou o que realmente aconteceu. Então não posso dizer que odiei o filme por causa do final. É um filme muito bom, que vale a pena ser assistido. E que, no final das contas, acaba mostrando que nem tudo é perfeito. Um ótimo trabalho de Ephron! Bon Appétit!

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