Ray

Ray

por Rodrigo Stucchi

Na semana passada, aconselhei os amantes da sétima arte e, é claro, do Cinem(ação), a assistirem (de novo) a cinebiografia “Johnny e June” (2005). Leia também! O drama inspirado na vida do cantor norte americano Johnny Cash é muito parecido com o filme que indico essa semana, se compararmos o gênero, os roteiros e as trajetórias dos personagens principais. Afinal, as duas películas apresentam narrativas incríveis conduzidas por músicas. As histórias mostram a vida dos músicos durante suas turnês pelos Estados Unidos. Os problemas dos artistas com as drogas legais e ilegais. Sua relação com as mulheres. Mas, principalmente, a incrível habilidade de Ray e Cash em transformar acontecimentos de suas vidas em canções que marcaram época e influenciaram gerações.

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“Ray” (2004), película de rara qualidade artística, é inspirada na vida e obra de Ray Charles Robinson (23/09/1930 a 10/06/2004), o pianista e cantor cego que ajudou a definir o soul na década de 1950. Seu nome foi encurtado para evitar confusão com o famoso boxeador Sugar Ray Robinson. O próprio filme faz uma alusão ao fato de forma bem sutil, quando o apresentador chama o artista ao palco pela primeira vez dizendo “Ray don’t call me sugar Robinson”. Outro detalhe importante foi a presença do biografado no set de filmagens, acompanhando a produção do filme in loco! Sem dúvida, sua convivência com Jamie Foxx foi de fundamental importância para que o ator construísse o personagem tão bem no cinema que lhe rendeu o Oscar de Melhor Ator.

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Aliás, a performance de Foxx como Ray foi inquestionável. Dos nove prêmios que concorreu pelo trabalho brilhante, ganhou oito: Oscar, Globo de Ouro, Screen Actors Guild, Critics’ Choice, BAFTA, NAACP Image Award e Satellite Award (em duas categorias, Melhor Ator em cinema e Melhor Ator em minisséries ou filmes para televisão). Entre as várias curiosidades sobre esse conhecido e consagrado ator, destaco duas: No mesmo ano, ele também foi indicado aos prêmios na categoria Melhor Ator Coadjuvante por “Collateral” (2004) , na primeira vez que Tom Cruise fez papel de vilão.

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A outra curiosidade é que Foxx também é exímio músico, pianista, cantor e compositor! Gravou quatro álbuns de estúdio. O segundo, Undpredictable (2005), vendeu mais de 598 mil cópias na sua primeira semana, mas falhou em atingir a primeira posição de vendas nos Estados Unidos. Porém, após esse começo na segunda posição, acabou subindo para o topo da parada de álbuns pop da Billboard na sua segunda semana, com vendas de mais de 200 mil cópias nos Estados Unidos. O álbum alcançaria a nona posição na parada de álbuns do Reino Unido. Unpredictable foi o primeiro álbum a conseguir tal feito (subir à primeira posição sem ter debutado nela) desde quando Genius Loves Company conseguiu tal feito. Adivinhe de quem era este trabalho? Sim, ele mesmo, Ray Charles. Coincidência?

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“Ray” batalhou de igual para igual pelo Oscar em 2005 com “Menina de Ouro” (Million Dollar Baby, 2004), outra cinebiografia dramática, porém não musical. Nessa verdadeira queda de braço, o filme dirigido e estrelado por Clint Eastwood levou a melhor. Foi indicado a sete categorias e ganhou quatro: Melhor Filme, Melhor Diretor (Clint Eastwood), Melhor Atriz (Hilary Swank) e Melhor Ator Coadjuvante (Morgan Freeman). Aliás, esta também é uma bela Dica de Filme! Já a nossa dica da semana foi indicada a seis prêmios e conquistou dois: Melhor Ator (Jamie Foxx) e Melhor Mixagem de Som. As outras indicações foram para Figurino, Edição, Melhor Diretor (Taylor Hackford) e Melhor Filme.

Como todo bom drama, o filme é denso em alguns momentos. Porém, retrata uma história de vida incrível, de um artista que marcou época e que, a exemplo de “Johnny e June”, se preocupou única e exclusivamente em mostrar quem Ray Charles foi realmente, sem transformá-lo em herói ou vilão. Espero que goste da dica e, mais ainda, da obra de arte.

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