Home Cinema Mundial Batman por Tim Burton

BATMAN

O diretor Christopher Nolan colocou seu nome na lista dos diretores que jamais serão esquecidos após dirigir uma trilogia que transformando um filme de super-herói em um filme autoral, na medida do possível realista e deu ao mundo uma visão do Batman que nunca ninguém antes haviam ousado imaginar.

Mas esses não foram os únicos filmes do homem morcego, predecessores deles vieram quatro filmes, porém este artigo não se trata de todos eles , na realidade seria um favor se todos esquecêssemos um pouco dos dois últimos filmes (Batman Eternamente e Batman e Robin), se possível esquecê-los para sempre. Vamos falar da quase trilogia do Batman dirigido por Tim Burton.

O personagem Batman estava por baixo, e desacreditado, depois do seriado camp dos anos 60 estrelado por Adam West, até a masculidade do herói foi posta à prova. Então a Warner contrata o diretor Tim Burton, que ainda estava consolidando seu nome, uma época tão remota que não existia a parceria Burton/Depp que todos amamos. O ano era 1989, e o mundo conheceu um novo Batman, que mudou tanto o personagem que essa alteração refletiu nos quadrinhos e no incomparável desenho que veio à seguir.

O primeiro filme chamava-se apenas Batman e trazia sob o capuz o ator Michael Keaton, que havia trabalhado junto com Tim Burton no filme Os Fantasmas se Divertem. E teve apenas uma continuação dirigida por ele que foi Batman – O Retorno.

O filme Batman traz alguns aspectos muito interessantes, já na cena inicial mostra uma família, pai, mãe e filho entrando em um beco e sendo assaltados, situação similar à quando os pais de Bruce foram assassinados, momentos depois quando Batman vai pegar os bandidos, em uma Gotham City escura e acinzentada podemos perceber o quão sombrio o personagem se tornou na visão de Burton. Um arco explorado apenas no começo do filme, mas que provavelmente teria sido melhor aproveitado em futuros filmes, é a promessa do fim da criminalidade nas mãos de nada mais nada menos que Harvey Dent! Sim, desde o primeiro filme de Burton o personagem já aparece, quem o interpreta é o carismático Billy Dee Williams, o Lando Calrisian da trilogia clássica de Guerra nas Estrelas possivelmente Burton já imagina um futuro Duas-caras em seus filmes.

O primeiro filme também traz cenários muito interessantes e que quase nunca são explorados no universo do Batman, o jornal de Gotham City. É lá que conhecemos a fotógrafa Vicki Vale (Kim Basinger) que se associa ao jornalista canastrão Knox (Robert Wuhl), não demora muito Vicki se torna interesse amoroso de Bruce. O vilão do primeiro filme traz um Jack Nickolson em uma de suas melhores interpretações, o mundo todo já sabia de sua capacidade para interpretar personagens insanos, pois O Iluminado havia estreado em 1980, ou seja 9 anos antes. É muito interessante algumas decisões de Burton e do roteirista, pois eles de forma inédita dão um nome ao Coringa, Jack Napier e também o colocam como sendo o real assassino de Thomas e Martha Wayne no beco. Algo interessantíssimo é que a forma como Jack Napier se transforma em Coringa é extremamente parecida como a origem oficial do personagem nos quadrinhos, que foi lançada na excelente HQ, A Piada Mortal, e coincidência ou não ambos revista e filme foram lançados no mesmo ano.

Um destaque especial é para o mordomo Alfred Pennyworth, que foi interpretado pelo sensacional Michael Gough, esse que foi o único ator que permaneceu nos quatro filmes do Batman pré Christopher Nolan. No final do filme o Coringa morre após cair do topo de um prédio, uma cena semelhante foi usada por Nolan, quando mostra o Coringa caindo do prédio mas Batman o puxa para cima no último segundo.

O filme ganhou um Oscar no quesito melhor direção de arte, e conta também com a música sempre lembrada do Danny Elfman.

Algumas curiosidades sobre os atores: A personagem Vicki Vale seria interpretada originalmente pela atriz Sean Young, porém ela quebrou a clavícula e não pode interpretar a personagem. Para o papel de Bruce Wayne/Batman haviam grandes nomes como Mel Gibson, Kevin Costner, Charlie Sheen (esse eu queria ver), para o papel de Coringa nomes como o do cantor David Bowie e dos atores Willian DaFoe (o Duende Verde do Homem Aranha de Sam Raimi).

BATMAN – O RETORNO

Na continuação do filme Batman, em 1992, Tim Burton foi além e tornou o filme ainda mais sombrio. Na sequencia inicial vemos o nascimento de uma criança, que deixam abismados os pais, médico e enfermeiras, logo em seguida os pais jogam a criança que está dentro de um cesto e um rio, perto do zoológico. Esse é o surgimento do personagem Pinguim/Oswald Cobblepot, interpretado pelo ator Danny DeVitto.

O vilão sádico, promíscuo e com um plano mortal volta à Gotham City para se infiltrar e se vingar da sociedade. O vilão se alia a um novo e poderoso aliado, trata-se de Max Shreck, um empresário inescrupuloso que planeja criar um grande reator para supostamente dar energia à cidade, quando na verdade ele irá roubar a energia para sua usina e vender a preços exorbitantes. Mas o plano do vilão não é perfeito, ele é descoberto por sua secretária curiosa, ninguém menos que Selina Kyle (numa interpretação imortal de Michelle Pfeiffer). Essa jovem, tem uma vida tediosa, morando sozinha a não ser pelos seus gatos. Max Shreck acaba atirando Selina do alto do prédio, mas ela não morre, e ao acordar está mudada para sempre, mais violenta e perturbada ela se torna a mulher gato.

Algumas informações muito interessantes sobre a mulher gato é que o próprio criador do Batman, Bob Kane agradeceu aos roteiristas Daniel Waters e Sam Hamm pela excelente história criada para a personagem sendo a origem da personagem vista no filme considerada a melhor de todas.

No filme vemos a aproximação de Selina e Bruce e temos cenas memoráveis deles junto com Alfred num jantar informal e que podemos ver uma nova família na mansão Wayne. Outra relação com a trilogia do Nolan é o baile de máscaras onde Bruce e Selina dançam, cena importante e presente em ambos os filmes. O filme se passa na época de Natal, e é nessa noite em que o filme acaba, numa das cenas mais marcantes, após vencer os vilões Bruce fica sem saber o destino de Selina, ao aparecer o bat-sinal nos céus é a silhueta da Mulher Gato que aparece.

Algumas curiosidades de Batman – O Retorno: Foi a terceira maior bilheteria nos Estados Unidos no ano de 1992. O compositor novamente fez a trilha sonora o que lhe rendeu o prêmio da BMI Film &TV Awards.

Como escrevi no começo dessa matéria, provavelmente Tim Burton tinha ideias para um terceiro filme, as a Warner decidiu fazer filmes mais família e chamou o diretor Joel Schumacher, que fez os grotescos Batman Eternamente e Batman e Robin.

Em um possível terceiro filme dirigido por Burton e com o mesmo elenco dos dois primeiros filmes, teríamos como vilão o Charada (possivelmente o ator Micki Dolenz) e também seríamos apresentados ao órfão Robin e o possível retorno da Mulher Gato (Michelle Pfeiffer).

CIN(ESTREIA)

Chegou aos cinemas o filme "O Segredo dos Diamantes", de Helvécio Ratton (
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