Home Cinema Mundial X-Men: Primeira Classe

O cinema contemporâneo está cheio de sequências e “pré-sequências” (chamadas de prequels, em inglês) que se alternam em diversas franquias. Muitas, pra não dizer a maioria, costumam se perder ao longo dos anos após fracassos de bilheteria e crítica.

“X-Men”, apesar dos percalços no meio do caminho, até agora é uma exceção à regra.

Os dois primeiros filmes da franquia X-Men tinham boa qualidade. Dirigidos pelo excelente diretor de adaptações de quadrinhos, Brian Singer, tinham tramas bem amarradas e ótima habilidade em apresentar a grande quantidade de personagens que povoam a trama aos montes. O terceiro filme “X-Men – O Confronto Final” não teve as mesmas mãos habilidosas de Singer mas mesmo assim manteve um nível razoável de qualidade.

Foi na primeira pré-sequência da franquia, com “X-Men Origens: Wolverine”, que a queda na qualidade se apresentou, com uma trama mais fraca e um roteiro sem nenhum tipo de atrativo.

A ideia inicial dos produtores era continuar com um “X-Men Origens” para cada um dos principais personagens criados por Stan Lee. Aparentemente, a ideia infeliz foi abortada: afinal, os personagens tem grande força juntos, e não separados.

X-Men: Primeira Classe conta o início de tudo. Perfeitamente ambientado na década de 1960 (auge da Guerra Fria), com cenas da infância de Erik (Magneto) ainda na Segunda Guerra Mundial, o filme retrata fielmente a época sem deixar de gerar identificação com o mundo atual. São diversos os pontos que podemos analisar para entender porque o filme tem tamanha qualidade.

Ambientação, direção de arte e figurino mostram a época do filme muito específica sem, necessariamente, citarem o ano ou repetirem em que época eles estão. A menção histórica à Guerra Fria entre Estados Unidos e Rússia serve de pano de fundo para uma trama política que dá ares de aula de história sem qualquer preocupação com o público desavisado.

O filme de Matthew Vaughn também continua como os primeiros filmes: focados na complexidade dos personagens que, entre a excitação com relação aos poderes e o preconceito que sofrem da sociedade, lidam com a aceitação de si mesmos e da sociedade em relação a eles. A presença de excelentes atores (especialmente James McAvoy, Michael Fassbender e Kevin Bacon) abrilhanta os conflitos entre os personagens, que não se limitam à dualidade entre “bem e mal”, mas são carregados de medo, angústia, ódio e diferentes formas de encarar a existência de mutantes no planeta.

Antes de ser um filme de ação com cenas de batalhas muito bem coreografadas, “Primeira Classe” é um filme sobre seres especiais e suas diferentes formas de encarar a realidade: qualquer espectador mais sensível consegue entender que os mutantes são uma metáfora para grupos minoritários que, além de enfrentar resistência da sociedade, são confrontados com a noção de evolução genética, tão difundida pela teoria Darwinista. Afinal, se realmente há uma evolução genética causada por códigos que mudam através das gerações, por que precisamos nos preocupar em exterminar ou segregar aqueles que pensamos serem “menores”? E se tudo tende à evolução, não seriam mais evoluídos aqueles que entendem as diferenças e lidam com elas harmoniosamente? Tudo isso pode ser aliado ao simbolismo da impactante cena de uma moeda com o símbolo nazista perfurando um cérebro e caindo ensangüentada no chão.

No contexto da franquia, “X-Men: Primeira Classe” é um filme que introduz personagens, mostra um dos mais queridos do público por um instante, e estabelece as regras da trama a partir de agora. Agora sabemos qual a relação entre Professor Xavier, Magneto, e Mística. Agora sabemos porque o Fera é uma criatura azul e como se dá a criação da escola de mutantes que tentará enfrentar a sociedade da forma mais difícil e correta: pacificamente. Após o filme, conseguimos entender toda a complexidade do Professor Xavier e sua condição de líder não apenas conhecedor das questões envolvendo as mutações genéticas, mas também da mente humana. Afinal, ele não só lê a mente das pessoas, mas compartilha com elas suas memórias e sentimentos – o que faria dele profundo conhecedor da mente humana.

Com mutantes adolescentes e as mãos habilidosas de Vaughn, “X-Men: Primeira Classe” não apenas rejuvenesce os atores e personagens, mas toda a franquia X-Men, que já se une a Harry Potter, Star Wars e ‘De volta para o futuro’ no rol das melhores franquias do cinema.

CIN(ESTREIA)

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