Home Cinema Mundial Fúria de Titãs

Vamos por  partes.

Primeiro, é preciso saber do que se trata: a famosa lenda de Perseu, o semi deus filho de Zeus. Os humanos passam a desacreditar nos deuses e a parar de adorá-los a ponto de destruir uma grande estátua de Zeus. O Olimpo se enfurece e Hades propõe o sacrifício da princesa para que eles não invoquem o perigoso monstro Kraken. Em meio a isso, Perseu perde a família que o adotou e descobre ser filho de Zeus. Sua tarefa, então, será destruir o monstro, em uma batalha contra os deuses do Olimpo, principalmente Hades e Zeus.

A produção é excelente. As imagens são bonitas, as cenas de ação são empolgantes, a fotografia é adequada e os efeitos são ótimos, a ponto de criar cavalos Pégasus absurdamente reais. A única exceção fica para uma Medusa desnecessariamente em CGI.

Mas parece que a preocupação do diretor Louis Leterrier ficou somente na parte técnica. O roteiro trata alguns acontecimentos com certo desdém (como a relação de Andrômeda com seu povo e sua contrariedade às ideias dos pais), e desenvolve poucos os personagens. Antes de mais nada, um bom filme precisa contar uma boa história com personagens bem desnvolvidos. Isso não acontece em Fúria de Titãs. Zeus é um velho ranzinza, Perseu é um herói que aprende tudo muito rápido e se recusa a rezar pelos deuses. Os companheiros de Perseu na sua aventura são “grandes homens” (e uma “grande mulher”) apenas por serem grandes (e se Perseu não dissesse isso, nem grandes eles seriam). E uma pergunta que não quer calar: por que raios os “andarilhos do deserto” ajudam Perseu? Para se desculparem? Para mostrar nobreza? Para ‘colocar os deuses em seus devidos lugares’? Por que eles desejariam isso?

O grande erro do filme é aprofundar-se pouco nos personagens. Fica difícil para o espectador sentir-se triste por alguma morte, ou entusiasmado por alguém que é salvo, ou feliz por Zeus trazer de volta da mocinha que será o grande amor de Perseu (situação desnecessária para o filme, e clichê absoluto em Hollywood). Por falar em mocinha e amor, as poucas cenas que trazem algum romance soam artificiais. Talvez por essa pouca (ou nenhuma) profundidade nos personagens é que fez com que as atuações ficassem medianas (ou ruins). Sam Worthington já provou em Avatar que pode mais do que aquilo que mostra aqui, enquanto que Liam Neeson e Ralph Fiennes vivem Zeus e Hades de forma caricata.

No fim das contas, Fúria de Titãs é um bom filme de ação para digerir. Mas não atende às expectativas que foram criadas, e não entra para a lista de melhores filmes da categoria “espada, sandálias e saia”.

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