Home Cinema Mundial Alice no país das Maravilhas

Lewis Carroll, um matemático inglês, publicou em 1865 um livro chamado “Alice’s Adventures in Wonderland”, título geralmente encurtado para “Alice in Wonderland”, que tornou-se sua obra mais famosa. No entanto, a obra era uma continuação de “Through the Looking-Glass” (livro traduzido para “Alice através do Espelho). As obras literárias são bastante complexas, pois contém diversas possíveis interpretações e diferentes textos: um para adultos e outro para crianças. Lewis Carroll também criou diversas palavras próprias, o que deu muito trabalho para os tradutores: para nossa sorte, as duas traduções para a língua portuguesa foram feitas por Augusto de Campos e Monteiro Lobato, respectivamente (a qualidade foi mantida e, por que não, melhorada).

Após inúmeras adaptações da história para o cinema, em 2010 a Walt Disney Pictures lança uma adaptação de Tim Burton, em 3D.

O que precisamos entender a respeito da obra que está nos cinemas, é que ela é uma continuação das duas histórias. Alice não é mais uma criança, apesar de continuar sonhadora e com pensamentos inadequados para o meio em que vive. O filme conta a história do retorno de Alice ao que ela chamava de país das maravilhas. Lá, ela reencontra os personagens brilhantemente criados por Carroll.

Como é de se esperar, o filme conta com uma produção impecável, cenários “Burtonianos” cheios de curvas e cores vivas, e  a presença de Johnny Depp e Helena Bonham Carter no elenco. Enquanto que a direção de arte encanta os olhos do espectador, e a atuação dos atores-fetiche de Burton é ótima (apesar de Depp repetir trejeitos e estilos de Willy Wonka e Jack Sparrow), os efeitos 3D parecem por vezes um pouco forçados e destoantes, e a história não é das mais interessantes.

Apesar de tentar criticar a sociedade e enaltecer as pessoas de mentes “loucas”, que mudam o mundo e desafiam a sociedade, e apesar de buscar referências no tabuleiro de xadrez como campo de batalha e de voltar à velha e conhecida ideia de que a profecia do oráculo deve ser seguida, o roteiro de Linda Woolverton não consegue adquirir elementos que o tornem interessante (ou pelo menos não interessante o suficiente para um filme de Tim Burton). A roteirista de O Rei Leão e Mulan se perde em meio aos elementos da obra original. Afinal, em determinado momento, Alice é cobrada por não saber quem ela realmente é, ou por não saber se pode realmente vencer o Jaguadarte (ou Jabberwock, no original). Se ela descobre quem realmente é, ninguém mais descobre (nem mesmo o espectador), e após uma batalha clichê e sem muitas emoções, é claro que acontece o que todos esperam. Ora, se o ponto principal do filme é  a pergunta filosófica “quem sou eu?”, será que a resposta é simplesmente encontrada ao dizermos o nome completo e uma descrição da linhagem familiar? O roteiro precisaria de uma resposta mais complexa e de um conflito interno mais bem trabalhado para que tivéssemos uma protagonista realmente interessante: caso contrário, seria melhor que fizessem uma adaptação direta do livro (que já conta com uma heroína um pouco fraca e se sustenta no mundo criado pelo autor).

Sem uma protagonista realmente interessante, e com uma direção morna (parece que Burton só está no projeto para ganhar sua graninha), o grande atrativo do filme é o trabalho técnico de cenários, figurino e efeitos digitais, apesar de os efeitos em 3D (feitos em pós produção) serem fracos e cheios de falhas, algo que é imperdoável para uma obra da Disney de tamanha grandiosidade e investimento.

Se o ingresso do cinema não for muito caro, vale a pena. Mas vá ver o filme sabendo que não será o melhor filme do mundo.

Comments

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  • Michele F SAqui

    Ai ai…estou com tanto medo de ver ALice in Wonderland do Tim Burton. Primeiro pq Tim Burton é crazy hehehe, e um dos únicos filme dele q curti até hj é Edward Mãos de Tesoura..humm, teve tbém Os fantasmas se divertem…mas fora isso…aff. Segundo, eu acho que prefiro o desenho…vai entender.
    Mas já ouvi de várias pessoas q foram q não curtiram. Vamos ver…tava com planos de ir algum dia no meio da semana.

  • http://www.tele-visao.zip.net André San

    As críticas com relação à Alice estão me desanimando… tinha tantas expectativas com esse filme… hauhauaha! Sou fã de Tim Burton e Johnny Depp e qualquer coisa que envolva os dois já me interessa de cara! Além disso, sempre fui fã fanático pela trama de Alice no País das Maravilhas, do desenho da Disney, aos telefilmes, passando pelas adaptações e referências, livros ilustrados infantis e, claro, a obra original de Lewis Carrol. Então tudo parecia perfeito! Ainda não vi o filme, já estava interessado em baixar alguma cópia pirata, mas resolvi esperar chegar ao cinema de minha cidade, pois vejo que este é o tipo de filme pra se ver numa tela de cinema, e não de computador. O jeito é esperar… hehe!

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